Uma gestão iletrada: o descaso com a Biblioteca Municipal de Piracicaba

Uma gestão iletrada: o descaso com a Biblioteca Municipal de Piracicaba

A imprensa piracicabana registrou nesta semana o descaso da gestão Hélio Zanatta para com a Biblioteca Municipal “Ricardo Ferraz de Arruda Pinto” – a nossa tão querida biblioteca pública municipal. As imagens veiculadas são, no mínimo, muito tristes e absolutamente lamentáveis: acúmulo de materiais inservíveis, caixas de papelão e outros materiais pelo chão, livros transformados em entulhos. Diante desse quadro, o Sindicato dos Servidores Municipais de Piracicaba – também de acordo com a imprensa – protocolou ofício solicitando vistoria técnica e avaliação urgente das condições da biblioteca que (de acordo com o Sindicato) pode estar sob risco de incêndio e favorece a proliferação de pragas e animais peçonhentos que podem colocar em risco servidores e usuários.

Novidade? Nenhuma. A gestão Hélio Zanatta já deixou muito claro, desde seu início, que não se interessa (também) pela educação e pela cultura. Haja vista que há mais de um ano iniciamos as tratativas para a implantação do Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (PMLLLB) – cuja lei, de nossa autoria, foi aprovada e promulgada na gestão anterior. Voltando as costas para a educação e a cultura de nossa cidade, a gestão Hélio Zanatta e sua Secretaria de Educação engavetaram essa lei e aboliram qualquer possibilidade de fazer de Piracicaba uma cidade modelo no que diz respeito à leitura, ao livro, à literatura e às bibliotecas. Portanto, a atual condição de nossa biblioteca pública não é mero acaso nem problema pontual: é projeto de desmonte que sinaliza como pensa e age essa Prefeitura.

Quer dizer, o registro do descaso atual com a biblioteca, com a leitura, com a cultura e a educação não é simples ocorrência. Pelo contrário, revela a incapacidade que a atual gestão tem de – justamente – saber ler a cidade, seus problemas e suas necessidades. Afinal, o Executivo piracicabano atual revela dia a dia que não sabe ou não consegue ler aquilo que está bem diante dos seus olhos – uma vez que gasta exageradamente no que é absolutamente desnecessário e vultoso enquanto despreza as reais urgências de Piracicaba. Ora, Piracicaba é um texto vivo que precisa ser lido com urgência por quem sabe ler – e por quem, no mínimo, se interessa por lê-lo a fim de compreendê-lo com profundidade. Nesse sentido, a Prefeitura atual é praticamente iletrada. O que se dizer, então, em relação a outras leituras e textos como os do acervo de nossa biblioteca.  Impossível esperar outra coisa.

Cumpre dizer ainda que, em relação aos problemas da biblioteca municipal, não pode agora o Prefeito Hélio Zanatta depositar a responsabilidade pelos fatos registrados na “conta” dos servidores que lá trabalham e à biblioteca se dedicam. Nada disso! O erro de gestão é da parte do Executivo e a ele e a sua Secretaria de Educação cabe o ônus desse imenso problema. Afinal, se soubessem de fato conduzir a área com competência e dinamismo saberiam que é necessário realizar avaliações constantes no acervo da biblioteca, que é fundamental criar programas de doações de livros, de organização e preservação de acervos recebidos – conduzindo eventuais descartes de materiais e mesmo de livros inservíveis de maneira atenta e responsável.

Por fim, e nunca é demais afirmar, se o prefeito Hélio Zanatta e a Secretaria de Educação tivessem tido a dignidade e a competência de fazer valer o Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas que temos aprovado e que tantos temos insistido para que seja colocado em prática, essa situação terrível de nossa biblioteca teria sido completamente evitada. Que pena!

Parodiando aquele velho ditado, Prefeito, parece que pior leitor é mesmo aquele que não quer ler.

 


Rai de Almeida é vereadora.

 

(Foto de capa enviada ao DE por um colaborador, há 3 semanas)

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