Rai e Acampa Brasil debateram crise migratória internacional e seus reflexos em Piracicaba

Rai e Acampa Brasil debateram crise migratória internacional e seus reflexos em Piracicaba

Vereadora do Partido dos Trabalhadores e representantes do movimento “Acampa pela Paz e o Direito a Refúgio – Brasil” realizaram encontro para debater problema mundial que tem reflexos no município.

A crise migratória – que se avoluma mundo afora – há tempos revela desdobramentos que chegam ao município piracicabano. Apesar de distante das fronteiras do país, Piracicaba recebeu e recebe – historicamente –migrantes e refugiados/as de diversos países que para nossa cidade se encaminham em busca de trabalho, de moradia e de uma vida mais digna. Para além da presença centenária da expressiva colônia italiana, dos trentinos e tiroleses, dos árabes, dos japoneses e outros, mais recentemente Piracicaba registra também a presença de haitianos, venezuelanos, sul-coreanos e de africanos advindos de países lusófonos ou não.

Nesse sentido – e atentos à crise sanitária, econômica e climática mundial – representantes do movimento Acampa Brasil estiveram reunidos com a vereadora Rai de Almeida (PT), na última sexta-feira, 21/05, para discutir acerca do atual momento atravessado pela humanidade e sobre os problemas enfrentados por aqueles e aquelas que, em busca de esperança de dias melhores, migram e procuram refúgio longe de seus países maternos e chegam a Piracicaba.

Estiveram presentes a essa reunião, assim, a professora doutora Célia Regina Rossi e o doutor em Ciência Política Tiago Cerqueira Lazier – ambos representando o Acampa –, a vereadora Rai de Almeida (PT), o co-vereador João Scarpa (do mandato coletivo “A cidade é Sua”), o advogado Paulo Borges – chefe de gabinete da vereadora Rai – e Fátima Monis – atriz, diretora, ativista cultural e assessora da vereadora Rai.

Oferecendo ao grupo informes acerca das ações que vêm acontecendo em Piracicaba na área da questão migratória e dos Direitos Humanos, a professora Célia Rossi comentou sobre o “Projeto Utopias”, a ser promovido pelo SESC Piracicaba junto a vários movimentos sociais locais – e que no próximo mês de junho trará a público debate sobre “Refugiados, Imigrantes e Meio Ambiente”. Rossi informou também que, no segundo semestre deste ano, será também oferecido pelo SESC um curso de formação aos refugiados que se encontram na cidade.

Discutindo sobre a importância do poder público local atentar-se para a questão migratória, Célia Rossi propôs que se pense na criação de um “departamento de Direitos Humanos.” Rossi afirmou ainda que muitas mulheres migrantes e refugiadas sofrem todo tipo de violência física e psicológica – e que  muitas crianças  (em especial, meninas) são também vítimas de violência sexual e física. Apesar de todo esse sofrimento, Rossi disse que essas pessoas estão “invisíveis à sociedade”, e lembrou que infelizmente ainda “não existe um organismo que atente para essas questões” em Piracicaba – ao contrário do que já acontece em outras cidades de mesmo porte.

Expondo que é possível ao poder público propor ações importantes e objetivas e que podem auxiliar àqueles e àquelas que chegam à cidade fugindo de situações desumanas em seus próprios países, Rossi recordou o exemplo da cidade de Campinas – na qual, segundo a professora, a Secretaria de Direitos Humanos, em parceria com o Sebrae, oferece cursos para os/as refugiados/as, sendo que até mesmo uma cartilha em vários idiomas (inglês, francês, castelhano e árabe) com informações básicas importantes sobre a vida na cidade é oferecida aos que a ela chegam. Reforçando a exposição feita pela professora Célia Rossi, Tiago Lazier comentou também da necessidade de se olhar para a situação local, de Piracicaba, uma vez que a questão internacional tem os olhares da imprensa mundial.

Como encaminhamento dessa reunião, a vereadora Rai de Almeida propôs articular uma reunião do Acampa com a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (Smads) e sua secretária, Euclídia Maria Fioravante.  Rai se comprometeu também em levar e articular essa pauta junto à Frente Parlamentar de Cultura que está sendo formada na Câmara – e se comprometeu ainda em propor à Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal a inclusão do tema dos/as refugiados/as como pauta constante a ser observada e pensada por essa comissão.

 


Foto de capa: Guilherme Leite.

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