“Quantas Vidas Cabem em um Voto?”

“Quantas Vidas Cabem em um Voto?”

Até final de março último, o país contava mais de 312 mil mortes por Covid-19 e, desde o dia 9 daquele mês, registra o maior número de óbitos por dia no mundo. Apesar de tais indicadores trágicos, temos um presidente que reiteradamente tem se posicionado frontalmente contra as medidas recomendadas pela comunidade científica.

É neste cenário que ganha relevância ainda maior o estudo “Quantas Vidas Cabem em um Voto?” – divulgado ontem (05/04) pelo recém inaugurado IEPS (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde). Assinado pelos pesquisadores Rache, B., Lago, M., Falbel, F. e R. Rocha, o trabalho detalha criteriosamente a forte correlação entre votação em Bolsonaro em 2018 e a aceleração da mortalidade por Covid-19 em 2021.

Pela criação de uma dicotomia artificial entre economia e saúde, Bolsonaro se colocou como principal opositor a qualquer política de restrição da circulação de pessoas e de distanciamento social. Foi além, “criticou o uso de máscaras, estimulou aglomerações, incentivou comerciantes a abrirem seus comércios, e por fim advogou pelo uso de medicamentos e tratamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19”, aponta o estudo.

Os efeitos concretos exercidos por lideranças políticas são perceptíveis. Após demonstrações públicas do presidente minimizando a gravidade da crise e o risco sanitário nos primeiros meses da pandemia, tanto se identifica o menor distanciamento social como também a incidência de casos maior em municípios que votaram mais em Jair Bolsonaro em 2018. Assim, o trabalho busca responder, no momento de maior gravidade da crise no país, “em que medida a aceleração da mortalidade observada nas últimas semanas tem sido maior exatamente nos estados e municípios onde o presidente obteve mais apoio político e votos nas eleições de 2018”.

Vale muito o acesso completo a esse documento do IEPS, uma organização independente e sem fins lucrativos, que objetiva contribuir para o aprimoramento das políticas públicas de saúde no país. O Instituto defende o direito de acesso de toda a população brasileira à saúde de qualidade e que o uso de recursos e a regulação do sistema de saúde sejam os mais efetivos possíveis. Além disso, sustenta que o acesso à saúde deve respeitar o princípio da equidade, tendo o Estado Brasileiro um papel relevante, de natureza distributiva em tal processo.


Heitor Amílcar é psicanalista membro do Inst. Vox de Pesquisa em Psicanálise(SP)(Instagram)


Foto de capa: Jovens da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo exibem faixa com os dizeres: “CHEGA DE MORTES! VACINA JÁ! E FORA BOLSONARO!”- na Avenida Paulista, próximo ao cruzamento com Alameda Ministro Rocha Azevedo. São Paulo, SP. 05 de abril de 2021.

Fotógrafo: Roberto Parizotti.

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