Brasil, a pandemia e o desgoverno do grotesco

Brasil, a pandemia e o desgoverno do grotesco

A pandemia não acabou. Longe disso. De acordo com dados do consórcio nacional de veículos de imprensa – divulgados no último dia 16 de maio – a média móvel de mortes no país tornou a subir após ligeira queda de 15 dias. Em nova ascensão, o número de vítimas da Covid-19 no Brasil segue, em média, próximo à triste marca de 2 mil mortes por dia. Quer dizer, com mais de 430 mil mortos, o Brasil completa agora 120 dias de média móvel de mortes acima da marca de 1 mil – sendo que, de março até o dia 10 de maio, foram 55 dias seguidos em que essa média chegou mesmo a estar acima da marca de 2 mil! O morticínio segue acontecendo! Nunca é demais lembrarmos: o Brasil segue vivendo a maior crise sanitária de sua história – ao que pese o descaso e o deboche negacionista daquele que indecorosamente ocupa a cadeira do cargo maior do país.

Aliás, em mais um de seus achaques em que ridiculariza os mortos vítimas da pandemia e à nação, de modo geral, o não-presidente do Brasil – aquele de quem nem se deve dizer o nome – afirmou em claro e bom som, na manhã dessa última segunda-feira (17/05), em conversa com “apoiadores”, que são idiotas aquelesque ficam em casa e obedecem a medidas restritivas para evitar a disseminação do coronavírus – disse ele: “têm uns idiotas que até hoje ficam em casa” (sic). Em mais uma nova cortina de fumaça que visa esconder – com polêmicas e palavrões – sua incapacidade de governar e o fracasso de seu desgoverno, o não-presidente do Brasil cospe outra vez suas bobagens, vomita suas baixarias, ofende e ironiza. Que tristeza. Sobra-nos indignação. Ante as mais de 430 mil mortes que só aumentam minuto a minuto, o discurso oficial desse não-presidente só é capaz de expor indecências, de dizer baixarias, de apresentar o grotesco, o de baixo-calão, o nojento. Triste Brasil!

Por isso, importa lembrar que o projeto de morte desse desgoverno que aí está é o que nos legou esse assassinato coletivo ao qual sucumbe a nação – vitimados que somos, todos e todas, pela necropolítica bolsonorista instituída como clara proposta para o país. É preciso que se afirme também, e a CPI ora em vigor no Senado Federal vem comprovando isso, que o Brasil foi submetido a um projeto atroz, calcado na ideia absurda de “imunidade de rebanho”, na indicação de remédios sem efeito e em falsos tratamentos precoces, na veiculação de informação mentirosa sobre a pandemia e no estímulo diário para que a população brasileira saísse às ruas e se contaminasse (sendo que também já nos revelou a CPI do Senado – composta por senadores de diferentes espectros políticos e partidos – que o desgoverno intentou ainda adulterar bulas de remédios e se recusou, por vezes, a comprar vacinas enquanto era tempo e havia oferta).

Sem condução firme, sem planos pautados na ciência, sem projeto que unisse o país em torno do grande mal que se estabelecia – seguiu o não-presidente pregando que a mais grave pandemia de nossa história recente era só uma “gripezinha”. Boicotando ações de combate e desestimulando a necessária restrição social – comprovadamente eficaz na redução dos contágios e transmissão do vírus – o não-presidente do Brasil prolongou a crise que ora chega a um número absurdo de mortos e não para de crescer.

Para além disso, a necropolítica bolsonarista afetou também a economia – a qual tanto o não-presidente diz querer preservar. Contrariando o que fizeram grandes países do mundo, o desgoverno que aí está nos lançou nesta crise sanitária interminável. E, enquanto vemos nações retomando sua economia e voltando à normalidade (como acontece nos EUA e no Reino Unido, por exemplo), aqui inevitavelmente teremos de enfrentar novas medidas de restrição e travões sob pena de vermos morrer, assassinados pela omissão negacionista, novamente, nossos cidadãos e cidadãs à porta de hospitais superlotados, sem oxigênio e sem remédios para – sequer – serem intubados.

Por fim, importa dizer também que, mais do que lamentarmos, é o momento de cobrarmosos responsáveis pelo caos instaurado no país. É hora de exigirmos que sejam apontados os que concorreram para que – em mais de um ano de pandemia – ainda não vejamos luz no fim do túnel. Basta! Que possa a CPI ora em ação seguir comprovando as atrocidades cometidas por quem deveria cuidar da nação – e que, terminada essa CPI, possamos ver mudanças positivas no país. A democracia precisa seguir vencendo. A justiça precisa ser feita. E o Brasil precisa encontrar seu ponto de mudança, sua hora de virar a página para voltarmos a ser o país que já fomos. Basta de necropolítica! Basta de baixarias! Basta de bolsonarismo. Precisamos respirar! Queremos nossa vida de volta.

 

 

 

 

 

Rai de Almeida é vereadora.

One thought on “Brasil, a pandemia e o desgoverno do grotesco

  1. Concordo com suas palavras. Como podemos fazer uma manifestação? Acredito que muita gente está indignada. Mas, estamos paralisados.
    Eu NÃO autorizo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *