Memória Piracicabana: “Senhor Cinema!”

Conheço Francisco Andia há “quilômetros” de anos e mesmo antes de conhecê-lo tinha uma profunda admiração pelo seu trabalho e pela sua contribuição a sétima arte. Tínhamos em nossa cidade de Piracicaba cinemas que exibiam arte, como o Cine Politeama – o primeiro com a “sessão maldita” (sessão da meia-noite) – e a Sala Grande Otelo – que ficava embaixo do palco do Teatro Municipal e a qual o próprio Grande Otelo (num dia que saiu de uma cama de um hospital onde estava internado) veio para inaugurá-la.

Na época, criou-se uma comissão para programar os filmes que seriam exibidos nessa sala – e tive o prazer de fazer parte desse grupo com o Zé Maria Ferreira (JM), Francisco Andia (Chico) e Dante Martani (Dante), que é hoje um dos maiores especialistas em som de salas de cinema no Brasil.

Foi uma época de grandes exibições e de grande alegria conviver com o Chico Andia – que era o dono do maquinário do Cine Arte (sala Grande Otelo). Foi homem de cinema e proprietário de uma das maiores redes de cinema do Brasil, a rede Cinemas do Interior de São Paulo – e inclusive com os cinemas de nossa cidade.

Foi proprietário da Roma filmes no Brasil (distribuidora) e teve a oportunidade de conhecer e privar de amizade de grandes nomes do cinema da época, como o maestro e mestre Ennio Morricone (Oscar honorário por contribuição ao cinema), artistas, diretores e produtores de quem distribuiu filmes em todo território nacional.

Lembro ainda com bastante saudade a presença da atriz Claudine Auger em Piracicaba, trazida por Chico Andia para a estreia do filme “Um pouco de Sol em Água Fria” – dirigido por Jacques Deray, com músicas de Michel Legrand e Gerard Depardieux no elenco.

Francisco foi o nosso orgulho no campo da sétima arte e cada vez que o vejo com a estampa jovem e sorriso cinematográfico, lembro-me com saudades do Cine Rivoli, Tiffani, Praza, Politeama e o inesquecível Cine Arte.

É uma história que ainda precisa ser contatada e detalhada em livro em seus mínimos detalhes, pois a experiência de quem viveu o cinema em nossa cidade e no mundo não pode ficar no esquecimento de nossa memória cultural.


 

João Carlos Teixeira Gonçalves é professor nos cursos de comunicação da Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP), consultor e palestrante do Instituto Gonçalves.



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1 Comment on "Memória Piracicabana: “Senhor Cinema!”"

  1. Ninfa S. Barreiros | 22 de agosto de 2017 at 11:43 | Responder

    Os melhores filmes que assisti foi quando jovem e além desses locais havia um cine clube e muitos incentivos para a sétima arte. Triste por saber que não há empresários com o mesmo olhar do Sr. A dia.

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