Use a inteligência artificial para bem votar em 2026

Use a inteligência artificial para bem votar em 2026

O Diário do Engenho me pediu um artigo analisando o cenário inicial das eleições gerais no Brasil em 2026. Mas, confesso, me senti “fora de forma” para isso. Acho que perdi a capacidade de discutir o assunto, mergulhado que estou na reflexão sobre o tempo, o espaço (cidades) e a palavra (livros, leitura). Acabei tendo uma ideia, para não desapontar o editor: se a minha inteligência natural não dá conta da tarefa, quem sabe a inteligência artificial, tão na moda, não a substitui à altura?

Abri o Gemini, digitei: “Redigir um texto com no máximo duas páginas fazendo recomendações para bem eleger os candidatos às eleições de 2026 no Brasil.” Acho que a IA estava ocupada e passou a tarefa para a BA (Burrice Artificial), pois a resposta recebida foi essa: “Aqui está o seu arquivo: Guia_Eleitor_Consciente.pdf. Esse documento apresenta recomendações estruturadas para orientar os cidadãos no processo de escolha de candidatos para as eleições. O texto aborda a importância da pesquisa em fontes qualificadas, critérios práticos de análise de candidaturas (como viabilidade de propostas e histórico político) e direciona o eleitor para os canais de transparência adequados.” Fui ver o guia e refere-se a 2024, ano das eleições municipais…

Tentei de novo e pedi assim: “Escrever um texto comentando a importância de bem escolher os candidatos a presidente e vice-presidente, governador e vice-governador, senadores e deputados federais e estaduais nas eleições de 2026 no Brasil, destacando o peso do poder legislativo para haver bom governo no país.” A IA assumiu a tarefa (não sei se repreendendo ou não a BA pela imperícia anterior) e ofereceu o seguinte:

“O equilíbrio democrático do Brasil em 2026 depende diretamente da compreensão de que nenhum governante administra sozinho. Escolher com critério os ocupantes do Poder Executivo e do Poder Legislativo é fundamental para garantir a estabilidade e o progresso do país nos próximos anos.

O Peso Decisivo do Poder Legislativo

Embora as campanhas para cargos majoritários atraiam maior atenção pública, o Poder Legislativo é o verdadeiro motor da governabilidade:

  • Aprovação de Leis: Deputados e senadores criam, modificam e votam as leis que impactam diretamente a economia, a segurança e os direitos sociais.
  • Orçamento Público: O Congresso Nacional e as Assembleias Legislativas controlam a aprovação do orçamento, definindo onde o dinheiro dos impostos será investido.
  • Fiscalização: Cabe aos legisladores fiscalizar as ações do Executivo, julgar contas públicas e frear excessos de poder.
  • Sustentação Política: Um presidente ou governador sem base aliada forte no Legislativo enfrenta paralisia política, dificuldade para aprovar projetos e crises institucionais.

A Responsabilidade no Poder Executivo

Os cargos do Executivo definem as prioridades de gestão e a execução das políticas públicas:

  • Presidente e Vice-Presidente: Conduzem as diretrizes econômicas, as relações internacionais e os grandes projetos nacionais.
  • Governador e Vice-Governador: Gerenciam serviços essenciais diretos da população, como a segurança pública, a saúde regional e a educação básica e estadual.

Votar de forma consciente em 2026 exige alinhar as escolhas do Executivo a um Legislativo qualificado, garantindo que as propostas eleitas tenham viabilidade real de execução.

Deseja que eu elabore uma lista de checagem com critérios práticos para avaliar o histórico dos candidatos ao Legislativo antes de votar?”

Eu respondi que sim e o complemento foi este:

“Critérios Práticos para Avaliar Candidatos ao Legislativo

Avaliar deputados e senadores exige olhar além das promessas de campanha. Use esta lista de checagem para analisar o histórico e a postura dos candidatos em quem você pretende votar:

 1. Alinhamento e Atuação Político-Partidária

  • Fidelidade partidária: O candidato muda constantemente de legenda ou mantém coerência com a ideologia do partido atual?
  • Histórico de votações: Se ele já possui mandato, como votou em projetos cruciais sobre economia, educação e segurança pública?
  • Posicionamento em blocos: O partido dele costuma votar em bloco a favor ou contra medidas de interesse público real?

2. Transparência e Integridade

  • Ficha limpa: O candidato possui pendências graves na Justiça, condenações em órgãos colegiados ou processos de improbidade administrativa?
  • Financiamento de campanha: Quem são os principais doadores ou qual a origem dos recursos utilizados na campanha eleitoral dele?
  • Evolução patrimonial: Os bens declarados pelo candidato ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) são compatíveis com a renda declarada ao longo dos anos?

3. Produtividade e Utilidade do Mandato

  • Qualidade dos projetos: As propostas apresentadas por ele são viáveis e trazem melhorias reais, ou são apenas leis simbólicas e sem impacto prático?
  • Presença em plenário: O parlamentar comparece assiduamente às sessões de votação e às comissões temáticas das quais faz parte?
  • Uso de verbas públicas: Ele utiliza de forma responsável as cotas parlamentares e a verba de gabinete, ou gasta rotineiramente o limite máximo permitido?

4. Conectividade e Coerência Digital

  • Uso de redes sociais: O candidato utiliza seus perfis para prestar contas do mandato e debater propostas, ou para disseminar ataques e desinformação?
  • Acessibilidade: Ele abre canais reais de diálogo para ouvir as demandas da sociedade e responder aos questionamentos dos eleitores?

Se quiser, posso sugerir os aplicativos e sites oficiais onde você pode consultar gratuitamente o histórico detalhado, os gastos e os processos de qualquer candidato. Deseja conhecer essas ferramentas?”

 

Minha conclusão: quem quiser votar bem, neste ano, pode pedir orientação básica para a Inteligência Artificial, pois será mais bem orientado do que recorrendo aos “debates” que hoje se travam nas redes sociais, essas, talvez, a linha de frente da BNACI – Burrice Natural Artificialmente Catalizada pela Internet. Antigamente diziam: “Antes só, do que mal acompanhado.” Hoje pode-se dizer: “Antes em companhia de uma única IA do que misturado com tantos portadores de BNI – Burrice Natural Insuperável”, principalmente quando se trata de tomar decisões coletivas importantes, como a escolha de representantes pela via democrática.

 


Valdemir Pires é economista e escritor.

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