Sobre Vacinas, Distanciamento Social e um Novo Presidente

Sobre Vacinas, Distanciamento Social e um Novo Presidente

Estamos em guerra, é bom que se diga. Não uma guerra contra um inimigo visível, não uma guerra contra soldados armados, contra canhões ou artilharia pesada. Estamos em guerra contra o que pouco ainda sabemos sobre um adversário absolutamente invisível – que ataca em silêncio extremo e abate fatalmente quem quer que seja. Mais ainda. As vítimas fatais dessa guerra não derramam sangue aos olhos de todos, não sucumbem pelas ruas e seus corpos ainda não se amontoam em nossa cidade em valas comuns ou terminam aos montes dentro dos incineradores dos crematórios. Não. Mas, já acossados por esse inimigo impiedoso, estamos em vias de vermos por aqui cenas terríveis como essas.  

Acredite, caro leitor e cara leitora, estamos travando a maior guerra que jamais vimos e vivemos no Brasil. E se ainda não incineramos os corpos ao montes ou os enterramos às pressas ou em vala comum em nossa cidade, é fato que as filas de espera nos hospitais e pronto-socorros de Piracicaba já é imensa. Acredite. É real! Já não há mais como atender a tantos doentes vítimas desse inimigo invisível – faltam leitos, faltam médicos, faltam enfermeiras e já começa também a faltar medicamentos que possibilitem que nas UTIS se possa ainda tentar salvar a vida dos que tombaram abatidos por esse mal que é invisível, sim – e, por isso, ainda mais perigoso. Esta semana, cabe informar, mais de setenta cidadãos esperavam um leito para serem internados só aqui em nosso município. Colapsados os hospitais – os próximos a colapsarem serão fatalmente os cemitérios.  

Fiquem atentos e atentas! Não acreditem em falsos profetas que divulgam mentirosos e perigosos tratamentos precoces, caro leitor e cara leitora. Procure se informar! Não há tratamento precoce para a Covid-19! O Brasil é o único país no mundo em que ainda se fala em tratamento precoce – não se deixe enganar! Infelizmente, a ignorância e a maldade também matam – e quem hoje engana a população dessa maneira um dia ainda será julgado nos tribunais nacionais e internacionais e pela história. Disso não tenha você, caro leitor e cara leitora, a menor dúvida! A história será implacável com quem tem a obrigação de cuidar do povo, de zelar por sua vida e segurança, mas que ao contrário disso investe em falácias, em mentiras e em crendices que agravam a crise sanitária no Brasil e condenam milhares à morte.

Contra a pandemia, apenas cinco coisas funcionam efetivamente: vacinas, distanciamento social, uso de máscaras e higienização constante das mãos com água e sabão e, claro, álcool 70º. Acredite! Não há milagres! Não há soluções rápidas! Se assim o fosse, o mundo estaria livre dessa doença – e países como os Estados Unidos não teriam investido milhões de dólares na compra de vacinas para sua população e não teriam vacinado já boa parte de seus adultos. Não há milagres – nunca é demais reforçar. Há a ciência. Há o conhecimento. Há a vontade política. Ou seja, tudo o que falta na ótica míope do nosso (des)governo federal – grande responsável pela situação atroz à qual chegamos – grande responsável por não ter comprado no ano passado as reservas de vacinas necessárias para a população brasileira, grande responsável por não provisionar oxigênio e outros fármacos em tempo (mesmo sabendo, como no caso de Manaus, que o colapso se aproximava), grande responsável por incutir na população brasileira a mentira do tratamento precoce – propalado aos quatros ventos pelos seus lacaios de plantão –grande responsável por negar a doença – tripudiando dos mortos, rindo dos doentes e até imitando decrepitamente um doente morrendo de falta de ar (e que, ante os quase 300 mil mortos vitimados pela Covid-9 no país, ainda teve a audácia de dizer publicamente que o Brasil está sendo exemplo para o mundo).       

Tragédia! Morrem as vítimas de Covid-19 nos hospitais, nos postos de saúde, dentro de ambulâncias e nos corredores das Unidades Básicas. Morre o comércio, morrem as empresas, morrem os empregos, morre a economia – igualmente vitimados pela falta de gestão nacional competente e capaz de unificar a nação, de coordenar esforços, de gestar a compra de vacinas e insumos (única luz no fim do túnel desta imensa desgraça). Sim! Precisamos de vacinas! E precisamos de um líder capaz de unir a nação em prol do combate à pandemia. Precisamos de um líder que auxilie as micro e pequenas empresas, que favoreça e aposte no auxílio emergencial, que invista em condições para que um maior número de pessoas possa ficar em casa sem prejuízo financeiro exagerado. Sim! Precisamos de um líder – e esse líder definitivamente não é Jair Messias Bolsonaro.  

Para vencermos essa guerra contra a pandemia, precisamos de vacinas, sim. E precisamos, urgentemente, de um novo presidente. Sem vacinas, sem distanciamento social, sem uso de máscaras e sem um Presidente da República capaz estamos fadados como nação e como cidadãos e cidadãs a tombarmos de uma vez por todas na arena tétrica que se nos apresenta. É hora de mudança.    

Rai de Almeida é advogada e vereadora pelo Partido dos Trabalhadores.  

(Foto da capa: Roberto Parizotti – São Paulo, 26-02-2021, professores da rede estadual em greve fazem caminhada a favor da vida )

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