Por uma Política para Doações à Biblioteca “Ricardo Ferraz de Arruda Pinto.” (Por ocasião do Dia Mundial da Biblioteca)

Por uma Política para Doações à Biblioteca “Ricardo Ferraz de Arruda Pinto.” (Por ocasião do Dia Mundial da Biblioteca)

“Um livro de biblioteca não é um mero artigo de consumo:

ele é, acima de tudo, um capital.”

(Thomas Jefferson)

 

A Biblioteca Municipal “Ricardo Ferraz de Arruda Pinto”, pelo que fiquei sabendo, tem um acervo totalmente alimentado por doações. Incrivelmente, não há dotações no orçamento municipal para compras. Todavia, como se ficou sabendo recentemente, devido à denúncia sindical, vinha acontecendo um brutal acúmulo de papeis inservíveis no local de armazenamento e manejo de materiais a triar e catalogar. A solução apresentada foi descartar o lixo (reciclável, pelo menos) e prometer um plano de reformas do prédio (a ver se será implementado ou, pelo menos, concebido). Se, por um lado, objetos que deveriam ser descartados vinham sendo recebidos, livros que mereceriam ser incluídos no acervo podem ter desaparecido.

Isso quer dizer que falta uma Política para Recebimento de Doações (PRD). Tal política deveria:

– explicitar o tipo de material aceito, visando evitar “descartadores” (aqueles que querem simplesmente se livrar de papelório em casa, pensando ser útil aos outros, quando não é) e não desperdiçar verdadeiros doadores (pessoas que desejam contribuir com suas obras ou fração ou totalidade de seus acervos pessoais para tonificar o acervo literário disponível ao público);

– manter o texto da PRD acessível ao público, inclusive em local visível no prédio da biblioteca e no seu site (aliás, fora do ar há tempos);

– condicionar as doações ao preenchimento de um formulário prévio com informações do doador e dos objetos oferecidos, devendo este ter espaço para despacho da bibliotecária aceitando ou recusando a oferta, com a devida justificativa, que pode ser complementada, no caso de recusa, com sugestões para encaminhamento a outra(s) entidade(s) que podem ter interesse no material (apostilas para cursinhos populares, por exemplo, e até mesmo cooperativa de recicladores, quando for o caso); cópia de tal formulário pode ser entregue ao doador com o despacho, servindo como comprovante da doação feita, quando aceita.

Para melhorar e fortalecer a gestão da biblioteca (e não só das doações), que tal conceber e articular um Conselho (Consultivo?) de Usuários e Leitores (CUL – primeira sílaba de cultura), a fim de que as instalações e o acervo da primeira biblioteca pública do interior paulista não sejam deixados somente nas mãos de técnicos e políticos, por mais competentes e comprometidos que sejam, podem deixar escapar, nas suas decisões e ações quotidianas, aspectos que são caros aos diretamente interessados no funcionamento da biblioteca?

Viva as bibliotecas de todo o mundo! Viva a Biblioteca “Ricardo Ferraz de Arruda Pinto”! Obrigado por tudo até aqui, bibliotecária, gestores e funcionários desta casa piracicabana do saber e da sensibilidade!

 


Valdemir Pires é economista, escritor e frequentador assíduo da biblioteca municipal de Piracicaba.

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