Era uma vez 3 comandantes. Era uma vez um país

Era uma vez 3 comandantes. Era uma vez um país

Pela primeira vez na história do Brasil, chefes das Forças Armadas renunciam conjuntamente por discordarem do Presidente, que segue derretendo em meio à crise.

O desgoverno de Jair Bolsonaro vem deixando marcas que jamais serão apagadas ao longo da história. Seus desastres à frente do cargo maior do país em muito conseguem ser – sob determinados pontos de vista – até piores do que os que impuseram à nação os militares ao longo de duas décadas de ditadura. Incompetente, despreparado, alienado, louco e genocida são alguns dos adjetivos com os quais o governo vem sendo classificado Brasil adentro e mundo afora por sites, jornais e portais de notícias dos mais variados matizes editoriais e por muitos de seus leitores – sem contar aí o conteúdo que pulula pelas redes sociais.

Hoje, dia 30 de março – véspera do dia que o presidente, em mais uma ação desumana e estapafúrdia, aguarda ansiosamente para celebrar – outra vez a trajetória de Bolsonaro encontra o fracasso, a decadência e a humilhação. Contrários ao governo, os Comandantes da Forças Armadas do país demitirem-se hoje, em conjunto, negando-se a seguir no barco furado de Bolsonaro e do bolsonarismo. Ação nunca antes vista na história do Brasil, os militares da mais alta patente das forças armadas da nação recusaram-se a continuar no governo por conta dos desmandos e incapacidade de seu líder.

Não é para menos. Se as forças armadas planejam “salvar” o Brasil e apagar da memória coletiva do povo a nuvem cinzenta que paira sobre elas desde o começo da Nova República – ideando criar uma nova imagem para o Exército, Marinha e Aeronáutica -, nada foi mais contrário a esse objetivo do que a participação dos militares como joguetes nas mãos e na boca de um presidente que – expulso do exército – faz e desfaz das forças armadas nacionais como se fossem elas bonequinhos de sua guerra particular contra o povo e contra a democracia.

Em outras palavras, estariam dispostos os militares a se queimarem novamente na história do Brasil – e diante do mundo – ao endossarem as ameaças de golpe de estado feitas por Bolsonaro e por seus filhos? O que corre nas veias desses generais, almirantes e brigadeiros não é muito maior do que o desejo de continuarem a ser soldadinhos de chumbo de um desgoverno que é um dos principais responsáveis pelas mais de 300 mil mortes por Coronavírus no país? Certamente, a posição desses comandantes, ao menos até aqui, revela que sim.

Nesse sentido, é preciso, gostemos ou não, reconhecer que a postura desses comandantes, ao menos diante do que agora estamos vendo, é correta e até louvável. As forças armadas não podem compactuar com ameaças de golpe e com o genocídio. Nem podem também, como admitiram esses comandantes, compactuar com a politização da caserna. Há tempos já era hora de um basta.

Resta saber como a caserna, de modo geral, irá reagir a esse turbilhão em crise – e como reagirá o próprio desgoverno diante de mais essa escatológica pulada de barco de apoiadores basilares.

Ao STF, os comandantes garantiram que estão ao lado da Constituição e que não apoiarão qualquer golpismo. Assim, esperemos. Em todo caso, parece que o sonho da famiglia Bolsonaro, o de fechar o STF e o Brasil com apenas um cabo e um soldado, está ficando cada vez mais difícil.

No chão da vida, o governo derrete e o país agoniza.


(Foto de capa: Marcelo Camargo – Agência Brasil)

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