Conjecturas Existenciais – Adelino Oliveira

Conjecturas Existenciais: o complexo tema da condição humana.

Que quimera é, então, o homem? Que novidade, que monstro, que caos, que objeto de contradição, que prodígio! Juiz de todas as coisas, verme imbecil; depositário do verdadeiro, cloaca da incerteza e do erro; glória e desejo do universo. Quem resolverá essa confusão?   – Pascal

A cultura, em sentido mais genérico – como qualquer produção que distingue e separa o humano da natureza – ou em sentido mais específico – como processo de elevação e refinamento –, estabelece o espaço daquilo que é humano em relação ao que é imaculadamente natural. Pela via da cultura, o animal homem alcança a dimensão de ser humano. É o que se designa de processo de humanização. Sem deixar de ser animal, o homem ultrapassa os meros ditames e ocorrências da esfera animal e natural, tornando-se humanizado. No entanto, tal compreensão parece não ser suficiente. Talvez seja relevante insistirmos ainda em uma indagação que se faz perene: o que é o ser humano? Em que consiste a humanidade? Questão já tão bem explorada por Carlos Drummond de Andrade no intrigante e sugestivo poema Especulações em torno da palavra homem. Poderíamos dizer que o poema de Drummond evidencia a pertinência da questão. Às vezes, diante de realidades tão marcadas por manifestações de simples e puro instinto, de extrema brutalidade e mesmo violência, tornamo-nos presas fáceis do ceticismo, a compor uma perspectiva de dúvida em relação a uma compreensão de que há algo de mais elevado no humano, como ponderou Aristóteles, em seu Convite à filosofia.

São múltiplos os sinais de miséria material – definindo uma vida mergulhada em falta e carência objetivas – e miséria espiritual – expressão de vazio e ausência de sentido existencial –, a descortinarem a aterradora face de uma humanidade perdida e alienada de qualquer noção de essência. E aqui se destaca mais um ponto de interrogação: há, de fato, uma essência humana? Nascemos com algum propósito capaz de atribuir significado mais profundo à existência, conduzindo-nos à felicidade e à realização? Novamente com Aristóteles, somos levados a compreender que sim. A natureza e a vida prepararam e esperam algo de nós – para o estagirita, a finalidade do existir consiste na busca pelo conhecimento e a felicidade é a contemplação da própria verdade. Ou, como defendeu Jean-Paul Sartre, de maneira discrepante, em seu niilismo, a existência não passa de uma paixão inútil? Se assim for, não há o que se cobrar e nem se esperar da humanidade, pois tudo é contingencial, portanto desprovido de significado absoluto ou mesmo transitório.

Intrigantes e ainda angustiantes continuam sendo os limites humanos – tão exemplarmente apontados na experiência revelatória do Buda Sidharta Ghautama – a consubstanciarem-se na velhice, na doença e na morte. Neste ponto, para Blaise Pascal, a condição humana indica a miséria e insignificância da existência – o humano não passa de um vermezinho, tomado pela soberba e arrogância. Em seus Pensamentos, Pascal contempla um ser humano perdido e soturno, incapaz de qualquer conhecimento que explique e atenue a sua miserável condição. Em uma perspectiva diversa, Nietzsche compreende o humano como um ser de intensa e radical potencialidade, quando dominado pelo dionisíaco, a se compor como força vital e criativa. Para Nietzsche, sob o signo de Dionísio, o humano alcança o transbordamento, na vida como vontade de poder. Mas não há nada que transcenda a própria vida, apenas o humano, demasiadamente humano. Em todo caso, há sempre a sobra da morte, como crepúsculo da existência.

Desfilando ainda por alguns pensadores, tomados, de maneira aleatória apenas pela memória de leituras, desprovido de qualquer rigor acadêmico e sem pretensões de esgotar a temática, deparamo-nos com perspectivas convergentes e divergentes, variações sobre um mesmo tema, com outros prismas. Para Immanuel Kant, a única felicidade digna encontra-se na existência ética, a compor uma vida que, na racionalidade, equaciona a vontade autônoma com o cumprimento do dever. Assim, a interioridade humana deve ser lugar e refúgio da lei moral. Bertrand Russel identifica três dimensões fundamentais que fazem valer a existência: a busca pelo conhecimento, a experiência do amor e a piedade em relação ao sofrimento que toca o humano. Na perspectiva de Karl Marx, a humanidade do homem se manifesta na dinâmica do trabalho, atividade livre e consciente. Por meio do trabalho, o mundo se torna reflexo do humano e, na atividade de criar, a vida alcança significado e pleno sentido na história.  

A longa tradição cristã acentua que há fortes e irrefutáveis indícios de que a vida ultrapassa a mera materialidade e objetividade. Tudo aponta para uma realidade bem mais ampla, a alcançar a transcendência. Neste ponto, o pensador cristão Boécio, após sofrer as vicissitudes da fortuna, recluso na solidão e frieza da prisão, alcança a clareza de que o poder, a riqueza e o prazer não passam de efêmeras ilusões, a desviarem o humano do que de fato deve ser fundamental na existência: a contemplação da perene e sublime sabedoria, que é o próprio Deus. Para Boécio, em sua Consolação da Filosofia, a única felicidade possível repousa no anseio pela divina sabedoria, somente a via do conhecimento é capaz de trazer sentido e dignidade à existência. Neste sentido, o cristianismo acena para a perspectiva do devir, compondo um horizonte existencial de esperança e transcendência.

Em todo caso, estamos mergulhados em conjecturas e controvérsias. Possivelmente, a única unanimidade sobre a existência se consubstancie na certeza de que é preciso fugir da boçalidade e banalidade que marcam e definem a vida no contemporâneo. Não há receitas para isso, mas duas percepções se destacam: o lugar do ócio, a possibilitar tempo para a criatividade, e a perspectiva da angústia, a compor um  certo estranhamento e distanciamento em relação ao mundo. Conhecimento, criação e crítica fomentam um olhar arguto, atento e perspicaz; o homem decanta a vida e as relações, toma a natureza, projeta a própria liberdade, reinventando-se como único, belo, audaz – incrivelmente, humano.

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O Autor:

Adelino Francisco de Oliveira é mestre em Ciências da Religião – pela PUC-SP – e professor de Ética e Teologia da Faculdade Salesiana Dom Bosco de Piracicaba e do Colégio Dom Bosco de Piracicaba

No Diário do Engenho, Adelino escreve às segundas quartas-feiras de cada mês

Contato: adelino.oliveira@terra.com.br

 

62 thoughts on “Conjecturas Existenciais – Adelino Oliveira

  1. Belíssimo e forte artigo Professor Adelino,
    A introdução fazendo uma refleção sobre cultura e as atividades humanas certamente abriu o tema com clareza. Perspectiva de Nietzche pessoalmente é uma das mais interessantes e creio eu que, cada filósofo contribui para que cheguemos, sem dúvida alguma, mais perto de compreender o ser humano em todos seus aspectos.
    Abraço
    Obs: Espero ter a oportunidade de debater mais alguns filósofos nas aulas de terça!

    1. Estimado Pedro,

      Agradeço pela interlocução… De fato, os pensadores nos auxiliam para nos aproximarmos do que deve ser essencial no existir… Certamente teremos oportunidade de discutir outros pensadores, na sala de aula ou mesmo aqui, neste interessante espaço virtual.

      Esteja bem!

  2. Certamente a condição humana é um dilema, o importante talvez seja não deixar de pensá-la ou de vivê-la compreendendo suas diversas posibilidades…
    O humano é complexo e que bom que muitos pensamentos surgem a fim de problematizá-lo ou tentar desvendá-lo.
    Construir, desconstruir e reconstruir compreensões diversas é um grande exercício, praticando essa atividade avançamos na nossa humanidade.

    1. Querida Neriane,

      A complexidade do humano é de fato encantadora… Somos desafiados a vivermos nossa existencialidade de forma radical e de maneira autônoma… sempre críticos aos modelos que buscam delimitar e naturalizar a existência. Existir é uma jornada sempre pessoal…

      Esteja bem!

    1. Estimada Neriane,

      As vezes o cotidiano – dinamizado sob a perspectiva do cronos, a nos devorar – nos impedindo de enxergar as possibilidades da existência humana…

      Um carinhoso abraço!

  3. Professor Adelino,

    O assunto do artigo está interessante.

    Somos seres dificeis de se conviver,
    precisamos e necessitamos do outro para a sobrevivência.

    Os estudos dos filósofos nos faz uma reflexão onde cada um pensa em uma maneira de contribuir para o resultado da compreensão.
    Temos diversas maneiras de sobrevivê-las , aos varios fatores da vida.

  4. Prezada Karla,

    Você toca em dois pontos fundamentais: a questão da sobrevivência e a problemática da convivência… Precisamos vislumbrar formas de sobreviver preservando a dimensão da convivência… Talvez a perspectiva da alteridade, de Levinas, nos indique um caminho…

    Esteja bem!

  5. Mestre Adelino,

    De todos os seus artigos que tive a honra e o prazer de ler, este realmente é o mais denso e relevante, pois nós traz a tona um tema de dificil compreensão para os homens, “A razão da existência Humana”.

    Um abraço,

    Esteja bem.

    Luiz Edinaldo

    1. Prezado Edinaldo,

      O tema é, de fato, muito relevante e exigente… Para nós cristãos a existência alcança sentido na dinâmica do amor e do serviço ao próximo… Mas tal certeza não nos exclui e nem isenta da angústia kierkegaardiana…

      Esteja bem!

  6. O artigo nos faz refletir sobre a cultura humana,que é o que diferencia o homem do animal.Nos desperta também para a ideia do humano como um ser miserável,que não tem noção de sua essência e não tem nenhuma explicação para isso. também podemos nos atentar ao fato de que o humano transborda a vontade de vida movido pelo poder.
    Percebemos que o professor utiliza-se de vários autores para nos ajudar a entender o homem contemporâneo que esta mergulhado em contradições mas é capaz de projetar sua própria liberdade!!
    Um abraço e parabéns pelo artigo!!

    1. Prezada Danelon,

      A cultura de fato nos lança em possibilidades multiplas de existência… a partir da cultura compreendemos o quem somos… A cultura transforma nossa animalidade em humanidade…

      Esteja bem!

  7. No artigo o professor reúne diversos filósofos que dão explicações sobre o humano e suas ações como serem culturais.Devemos fazer um paralelo entre os autores citados para que possamos começar a repensar o homem contemporâneo que muitas vezes é movido a partir de valores banais.
    Um abraço.

    1. Prezada Pamela,

      A banalidade e boçalidade talvez seja o grande fantasma de nosso tempo… Tem razão ao apontar a reflexão crítica e densa como um caminho…

      Esteja bem!

  8. Primeiramente parabéns professor pelo artigo,
    Achei o texto bem explicativo e entendemos o homem á partir de outra dimensão,mais complexa e profunda.
    entendemos o homem como um ser livre e de certa maneira miserável.
    Uma reflexão mais profunda deve ser feita em sala.
    Abraços

    1. Cara Lais,

      O tema deve mesmo ser explorado e aprofundado… especialmente a concepção de liberdade – a nos remeter a uma condição de total abandono e desamparo…

      Esteja bem!

  9. O homem é um ser complexo e cheio de controvercias, por isso a importância de uma reflexão profunda,critica e aberta acerca do assunto. O paralelo feito pelo professor entre os filósofos Jean-paul Sartre,Karl Marx e outros nos leva á um conflito sobre a condição humana, conflito este necessário para um entendimento mais profundo e completo sobre nossa existência como seres participantes de uma cultura.
    Parabéns professor pelo artigo.

    1. Cara Karina,

      Não sei se é possível alcançarmos um entendimento completo sobre nossa existência… Talvez tenhamos que nos conformar com nossa insuficiência…

      Esteja bem!

  10. Primeiramente gostaria de parabenizar o professor Adelino pelo artigo. Um assunto bem interessante para ser discutido.

    O que é o ser humano?
    Em que consiste a humanidade?
    São perguntas muito complexas e muito dificil de ser respondidas, pois são questões que geram muita discussão, pois cada ser humano tem um pensamento diferente que relação a humanidade e o ser humano.

  11. O homem esta inserido em uma cultura, que não está desprovido na sua própia natureza. Pensar que o homem é um ser que se humaniza através da cultura, ele busca preencher um vazio, compreender a sua existência e o seu modo de viver, sem deixar de lado a sua essência buscando o que é conhecimento.

    1. Prezada Gabriela,

      Fico pensando sobre esta questão da essência humana… Talvez Sartre esteja certo ao afirmar que a liberdade é o que nos define… Vamos continuar este diálogo…

      Esteja bem!

  12. Pensar no homem no humano é pensar nas escolhas que devemos fazer
    e refletir sobre suas consequencias, todos nos vivemos em busca de algo
    e temos uma perspectiva de vida acreditando naquilo que achamos correto ou que
    a sociedade (cultura) nos mostra que é.

    1. Cara Fernanda,

      Interessante o tema das escolhas… a angústia está em escolher sem nenhum tipo de controle… é saber que escolhemos na mais pura solidão e desamparo… e não temos como prever as consequencias…

      Esteja bem!

  13. De todos os textos que você tem produzido(todos eles excelentes) este, realmente, superou a minha expectativa, em face de sua profunda reflexão e profundidade; se contar que trata-se de um texto extremamente bem elaborado.

    Parabenizo-o, mais uma vez,
    Teresinha

  14. Amada Teresinha,

    O tema deste artigo é por demais denso… A existência nos remete a uma certa perplexidade… Talvez a experiência do amor – que aparece como uma lacuna e ausência na reflexão – seja a única verdade…

    Esteja bem!

  15. Bom,o artigo é muito interessante e nos faz refletir que o humano se “faz” em meio a cultura,assim o homem não nasce humano mas sim, torna-se humano através da cultura. Também ao pensarmos o ser humano os imaginamos vivendo em meio a uma sociedade, em meio a cultura, pois através da interação humana e a partir do contexto cultural que o humano vai se desenvolvendo, assim o homem se apropia de costumes e valores em seu tempo histórico em constante interação em seu meio social adquiriu várias práticas culturais,pois o humano necessita em transformar o meio em que vive construindo modicando tudo a seu favor e ao transformar a natureza consequentemente o homem produz cultura.
    E nessa existência, nessa liberdade o homem é livre para se autovalorizar assim cria representações em busca de encontrar o sentido e a verdade para sua existência. Buscando compreensões de tudo que cria o homem constrói representações simbólicas, assim o humano produz cultura se humaniza se reinventa se transforma no tempo e no espaço o tornando um ser instável.
    Assim o homem é regido por escolhas que ele mesmo criou, o humano é livre para se autovalorizar. Portanto a essência humana é sua liberdade que por vez o torna um ser inseguro, e um ser angustiante.

    1. Querida Graziele,

      Reflexão sugestiva e interessante… a questão do simbólico nos remete a Schopenhauer – o mundo como vontade e representação… Talvez a própria existência não seja mais do representação cultural.

      Esteja bem!

  16. Que artigo interessantíssimo!
    O homem é um ser de muita complexidade. Só ele, o animal humano é capaz de passar pelo processo de humanização, através da via cultural.
    Os pensadores citados no artigo, mostram as mais variadas compreensões sobre o humano, que nos ajudam realmente a refletir sobre “o que na verdade é o ser humano?” “Em que consiste a humanidade?”
    Gosto muito da maneira como Kant responde. Que a felicidade se encontra na existência ética, na vontade autônoma com o cumprimento de dever. E ainda, numa fala mais completa, vejo em relação ao pensador cristão Boécio, que a única felicidade repousa no anseio pela divina sabedoria.
    Eu, como cristã, vejo que a bondade, o amor para com Deus e para com o próximo, tão ensinado no Evangelho nos dá sentido para a vida, nos leva a dignidade para a existência. Como se Deus fosse um pastor e os homens seriam suas ovelhinhas. O pastor ensina, corrige, educa, consola nos momentos difíceis suas ovelhinhas, pois Ele conhece cada uma delas. Então ao pensar assim, a vida não se torna um motivo de de ausência de sentido, de vazio, de angústia. Na tradição cristã, a felicidade e a satisfação se dão de maneira garantida.
    Um abraço Adelino!

    1. Querida Maryângela,

      De fato o cristianismo nos traz alento e esperança… Nesta perspectiva, é interessante que você tenha ressaltado Kant e Boécio… Mas, Kierkegaard, apesar de ser cristão – e mesmo Pascal – não escapam da angústia… Aliás, é o vazio do mundo que os levam a mergulharem na angústia, que possibilita buscar o essencial…

      Esteja bem!

  17. É professor Adelino, esse artigo é bem forte e complexo, e nos leva a pensar realmente em nossa existência, como de fato tudo surgiu e pra que viemos. Porém em toda sua complexidade não deixa de ser encantador esse artigo, mas que realmente assusta , ha isso assusta mesmo. Nascemos, crescemos e vivemos diante de doutrinas impostas perante a sociedade e a cultura, e de repente ao nos depararmos com pensadores que veêm a vida totalmente diferente da qual estamos acotumados é de chocar….
    Mas de qualquer forma é algo a nos relamente levar ao pensamento em seus diversos sentidos e refletirmos sobre tal.

    1. Cara Sheyla,

      A complexidade da vida deve apenas nos encantar… O interessante é que gastamos muita energia tentando controlar a existência… Talvez possamos dizer com Gonzaguinha: “viver e não ter a vergonha de ser feliz…” As vezes temos dificuldade em apenas viver… Vamos prolongar esta discussão em aula…

      Esteja bem!

  18. O artigo nos faz refletir em torno da existência humana, onde cada filosófo Marx, Karl propoe uma ideia para essa dimensão do humano.
    Achei interessante, a ideia de que o homem é digno do trabalho que o,leva ao conhecimento, a criação, e o significado da vida plena.
    Através desse artigo podemos compreender um pouco mais da história e de sua cultura humana.
    Um assunto que devemos pensar e refletir sempre e tentar responder essas questões.

    Parabéns, pelo artigo professor.

    1. Cara Andréia,

      O artigo, de fato, nos provoca para a reflexão… Há muito o dizer sobre o tema… o que não podemos é nos esquivar de refletir…

      Esteja bem!

  19. Refletir sobre o existencialismo, realmente é algo desafiador, somos seres livres, escolhemos como queremos viver, mas no entanto nos vemos a realizar ações de forma obrigatória sem que haja satisfação, caímos na mesmice, agimos por agir, esquecemos das conseqüências, deixamos muitas vezes de sonhar ,vivemos a humanidade de forma limitada, buscando corresponder aos padrões que a sociedade impõe, deixando visível, como destacado em seu texto, a miséria material e a miséria espiritual que se fazem presentes muitas vezes na face da humanidade.
    Tanto seu texto como suas aulas é uma grande oportunidade para que se reflita sobre as questões do “humano” e de sua existência.
    Parabéns professor Adelino!

    1. Prezada Jacqueline,

      Seu comentário aponta uma situação de fato relevante… o cotidiano, sobre a dinâmica do cronológico, acaba pro impor um ritmo de vida na qual não temos oportunidade de explorar nossas possibilidades… Dai a necessidade que temos do ócio…

      Esteja bem

  20. Adelino
    Parabéns pelo artigo muito interessante.
    O ser humano é muito complexo, mas gostei quando Russel coloca que há três dimensões fundamentais que fazem valer a existência, a primeira é a busca do conhecimento, segunda a experiência do amor e a piedade em relação ao sofrimento que toca o humano.
    Essa parte me chamou muita atenção em relação que realmente alguns buscam outros gostam de experiências e tem aqueles que sofrem com o sofrimento do outro.
    Mas ainda fico na dúvida, o que é ser humano? Isso fica para discussão na sala.

    1. Cara Carla,

      Muito bem… o tema não está esgotado… penso que não se esgota nunca… A busca pelo conhecimento, o amor e a compaixão abrem perspectivas interessantes de existência… Vamos continuar dialogando…

      Esteja bem!

  21. De fato, o homem se humaniza na cultura, é de sua natureza o desejo pelo conhecimento, sendo um ser que tem a habilidade de criar, reinventar, se transformar no tempo e no espaço.
    O homem é provido da liberdade de escolher, sendo assim o resultado de suas escolhas, que muitas vezes pode levá-lo a sentir angístia, essas escolhas sem critério o leva a angústia, porque não tem controle, não tem perspectiva de vida, pois é regido por convenções que ele mesmo criou, que no limiar das circunstâncias não é obrigado a seguir. Sendo assim, o homem é uma construção meramente histórica, ao qual é responsável por suas escolhas, de como quer existir, pois não há nada que sustente há verdade, não ha critério. Com isso não temos propriedade alguma de julgar ninguém. O outro escolheu a sua vida, mesmo sem ter consciência (ou tenha a ingenuidade, quando acha que nã tem liberdade para viver). Essa liberdade é a autonomia do homm, que o leva a escolher o que vai ser, o caminho a seguir.
    Homem inventa homem, o homem não é um ser pronto, como o animal que está fadado a ser o que é, o homem está fadado a se criar, a ser constituído em uma cultura, em uma sociedade.
    é preciso perceber que não é possível reduzir o homem a um todo, mas tem que olhar as peculiaridades de cada um.
    Enfim, não vou mais me alongar no que vem a ser o humano, pois é um assunto muito pertinente, que requer mais tempo para reflexões, mas posso afirmar que o homem é um ser muito complexo, com suas limitações, particularidades, desejos, emoções, sentimentos, razão…

    1. Querida Márcia,

      Sua reflexão evidencia a maturidade intelectual que você tem buscado… seu texto avança em uma análise sartreana sobre a existência… Somos seres culturais, definidos por um determinado período histórico… Foi muito bom dialogar com você…

      Esteja bem!

  22. O homem é lançado ao mundo e procura dia após dia definir-se enquanto um ser social e cultural. No entanto, devemos destacar que, apesar de estar imerso a teia das relações, o homem se constitui a partir de suas escolhas pessoais. Portanto, não tem controle sobre o outro, somente sobre si, define apenas o seu caminho. Neste sentido, suas experiências compõem/sustenta sua existência, permitindo-o atribuir sentido a vida. Embora se apresente como um ser incompleto busca dia após dia preencher seu “vazio” a suprir sua “falta”, ou seja, o homem se constitui pela busca.
    Assim, entendo que o homem se constitui ao longo de sua história, através das relações estabelecidas com o outro, com o saber (conhecimento) e com sigo próprio, traça caminhos e durante todo o seu o percurso é fortemente marcados pelas experiências. Portanto, ao longo de seu desenvolvimento encontra-se engajado na dinâmica das relações, necessita aprender para “ser” para “tornar-se”.
    Devemos lembrar que o homem é um ser complexo e encontra-se imerso a uma dinâmica de relações são conflituosas, mas sua constante busca pelo conhecimento, lhe aponta inúmeras possibilidades. Tem a liberdade para decidir e escolher sobre sua própria vida, questões estas que faz do homem um ser surpreendente.

    1. Prezada Kenia,

      Sua reflexão está muito interessante… a concepção do humano como ser de busca é bem sugestiva… Talvez nunca encontremos as respostas definitivas… mas o fundamental é não desistirmos da busca… Tem sido muito bom dialogar com você…

      Esteja bem!

  23. Prezada Jacqueline,

    Seu comentário aponta uma situação de fato relevante… o cotidiano, sobre a dinâmica do cronológico, acaba pro impor um ritmo de vida na qual não temos oportunidade de explorar nossas possibilidades… Dai a necessidade que temos do ócio…

    Esteja bem!

  24. Muito interessante o assunto do artido. É algo complexo mais fazendo relação com as explicações feitas em sala de aula, é de fácil entendimento.
    São diferentes ideias sobre o Homem, nos levando a uma reflexão sobre quem somos nós humanos.

    Segundo Sartre, a essência humana é a liberdade. Liberdade essa que nos dá o poder de escolhas e da vida nos transforma através dessas escolhas. É o Homem dando o sentido que quer a sua própria existência, livre para se auto-valorizar. Ponto esse a ser repensado por nós humanos, para nos valorizarmos mais, dando maior sentido a nossa existência.

    Parabéns pelo artido Prof. Adelino!

    1. Cara Joyce,

      O tema da liberdade é sempre instigante e ao mesmo tempo assustador… Ser livre signifca, em Sartre, total desamparo… queremos a liberdade mas não estamos dispostos a arcar com ela…

      Esteja bem!

  25. Boa noite, professor Adelino

    Parabéns pelo artigo.

    Isto nos faz refletir que o Homem quanto mais cultura ele absorve, mas ele se distancia do que é imaculado, do que puro, indo numa busca constante do que é felicidade.
    O homem não é nada perante a este mundo, pois quanto mais poder, mas status ele se perde das coisa divinaas.
    Interessante quando você cita os três filosófos Kant, em que o homem para ser feliz precisa ter ética , Russel as três dimensões pela busca do conhecimento, a experiência do amor, e a relação com o sofrimento e para Marx que o homem sente a necessidade de criar para alcançar um sentido à vida.
    O que mais me chamou atenção no artigo é quando o professor cita Boécio que depois de todo o srofrimento desta vida é que ele aprende que a verdade felicidade se dá pela divina sabedoria. O homem deixa um pouco de lado os momentos mais importantes, como estar ao lado da família, de pessoas que são importantes, para viver ou pelo menos tentar viver o poder, alcançar conquistas, dinheiro, ficando cada vez mais distantede tudo e de todos. E para que? O homem é um ser que pensa em si mesmo passando em cima de tudo e todos para alcançar seus objetivos. Hoje não existe um padrão de felicidade. O pode ser felicidade para um pode não ser para o outro.

    Abraços,

    1. Cara Flávia,

      É sempre díficil definirmos o que é essencial… as vezes somos conduzidos pela cotidiano e perdemos a percepção do que realmente é importante… Por isso, precisamos perseverar sempre na postura reflexiva.

      Esteja bem!

  26. Querido mestre adelino,

    O texto acima nos leva a uma reflexão acerca da existência humana, assunto esse que foi frequentemente discutido em aula durante o sétimo semestre do curso de pedagogia!!!!!
    Diante disso cabe afirmar que a o homem é um ser imprevisível, que esta em constante modificação, um ser que provoca surpresas. A essência do homem é a sua liberdade, segundo Sartre. Cabe salientar também que o aprendizado humano se dá através do contato com o outro, o mundo transforma o homem. Para finaliza, me lembro de uma frase dita pelo mestre Adelino em uma de suas aulas e que cabe muito bem no curso de pedagogia: “O Homem transbordante é aquele que vê o mundo como criança.”, pois a cça é irreverente, possui criatividade, espontaneidade e a capacidade de inventar coisas. Realmente, todos deveriam ver o mundo aos olhos de uma criança, certamente teriamos um mundo mais criativo e menos malicioso.
    Parabéns pela cronica!!!!!
    Abraços!!!!

    1. Querida Amandha,

      Agradeço por seu comentário. Interessante que você tenha resgatado Sartre e Nietzsche, dois pensadores impressionantes… A existência é liberdade e deve ser dinamizada pelo desejo de vida, pela constante busca de superação…

      Esteja bem!

  27. Adeliiiino, ótimo texto, muito densoo.. hahahahahaha
    que orgulho em te ter como professor!
    Vou levar muito de suas aulas pra minha faculdade de Direito, pode apostar..

    Beijão!

    1. Estimada Maria Luiza,

      Que bom que você passou por aqui… Não sei bem se o texto te auxiliará no Direito… mas pode te conduzir a questionar sua vocação… (risos)

      Esteja bem!

  28. Excelente Adelino, interessante você abranger o tema do que é a vida sem ser somente a parte material e sim o “quem sou eu?” do indivíduo. Sabedoria vem com o tempo e com nossas experiências, nosso processo de humanização está em aprendermos com os erros para torná-los acertos. Jamais poderemos saber ao certo nossa razão de existir, mas sempre podemos contar com aquela “mãozinha” que acaba nos empurrando a ela, o problema é elevar o pensamento ao futuro e não ficar preso somente ao presente ou o futuro muito próximo. Bom trabalho Adelino, merece um 10!

    1. Prezado Giovanny,

      Interessante seu comentário… é preciso compreender a vida para além de sua dimensão material… Penso que talvez seja importante aprofundarmos este aspecto da reflexão, tarefa para nosso próximo texto…

      Esteja bem!

    1. Querida Juliana,

      A filosofia pode não nos trazer respostas… mas nos lança em uma cadeia de indagações e a uma postura reflexiva…

      Esteja bem!

  29. Caro Mestre Adelino,
    Com grande engajamento essa reflexão transforma o homem em algo mais que um simples animal bem desenvolvido, contudo a racionalidade que nos faz pensar que “temos uma missão ou chamado ou sentido de existencial” serve apenas para mascarar o vazio dentro de nossos “intelectos”. Com isto o (como bem citado) “demasiado humano” tenta assumir um papel superior e importante para o “mundo”, pois é extremamente difícil para qualquer pessoa admitir que um rato é tao evoluído quanto nós, outra forma de fuga é a religião, desde eras passadas os homens vem criando ídolos e deuses para suprir o “vazio de dentro de nós”, já que em todos os casos pomos “os homens” como seres superiores.
    A racionalidade ou melhor o pensar em si, foi o que nos diferenciou de fato, porem isto também se tornou o inicio de nossos problemas, pois com pensamentos cada vez mais complexos acabamos criando meios de convívios mais complexos, tornando a nossa sociedade cada vez mais complicados e dificultando a convivência entre os indivíduos, que acabam sofrendo pelo meio em que vivemos, com a complexidade chegando ao limite da razão humano apresenta-se dois extremos, aquele alienado no qual passa fome e é “morto” como pensador e o pensador que chega ao seu limite intelectual sendo levado a depressão ou mesmo loucura…
    A sua reflexão como sempre supera linhas de pensamentos já impostos a nós, indo cada vez mais fundo na reflexão do pensamento humano… os mais cordiais elogios com sinceridade e ….

    Um Abraço, Renan

    1. Querida Renan Botta,

      Suas intervenções são sempre carregadas de indagações, a gerarem novas discussões… Penso ser particularmente interessante o paradoxo que você apresenta entre o homem alienado de toda perspectiva de cultura, por conta da miséria material e o intelectual, que mergulha na depressão e na própria loucura… Perguto-me: onde nos situamos? na mediocridade?

      Esteja bem!

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