Calçadas Ameaçadoras: é o centro se desintegrando

Calçadas Ameaçadoras: é o centro se desintegrando

Primeiro, você tropeça num piso solto. Depois é necessário buscar um espaço para pisar que contorne o buraco. Aí, como vem alguém no sentido contrário, é necessário parar e aguardar – como se fosse tráfego de automóveis em vias interditadas e não simples locomoção de pedestres. Esse é o quadro do centro da cidade, mais especificamente da rua Governador, entre o Mercadão e o Assaí. Espaço que já concentrou opções de lojas que movimentavam a cidade, em termos de qualidade e pioneirismo, aos poucos transformou-se em comércio popular. O que, de qualquer modo, não justificaria o abandono – agravado até mesmo pelo descaso de muitos comerciantes (é difícil encontrar, quando as lojas ainda não abriram, as portas de aço limpas ou que tenham visto algum tipo de lavagem com frequência. Encostar nelas é certeza de sujeira transferida para as mãos ou roupas).

Antes de transformar este texto em apenas mais uma crítica ao governo municipal – tanto esse como anteriores – é preciso, no entanto, entender que a manutenção das calçadas, apesar de públicas, segundo legislação específica, têm como responsável por sua manutenção o proprietário do imóvel – seja ele público ou privado. Todavia, quando se pensa em revitalização da área central – que parece, no viés dos últimos prefeitos, algo milagroso através de possíveis intervenções apenas na Praça da Catedral – fica difícil imaginar algo com efeitos concretos que não reúna projetos parceiros entre o governo municipal e comerciantes. Se as calçadas como item são responsabilidade de particular, fomentar o comércio varejista deveria ser política pública – e isso passa, necessariamente, por um centro da cidade mais atrativo, mais seguro, esteticamente mais dentro de normas inclusive de acessibilidade.

Pequenos reparos e remendos pontuais nas calçadas não terão resultado nenhum em termos estéticos, de segurança e acessibilidade a pedestres. E não há como dizer que a prefeitura não tem lá sua responsabilidade: o mau exemplo pode ser conferido na calçada da Rua Governador, tal como foi deixada depois da instalação de boxes especiais no estacionamento, após o incêndio do Mercadão. Fazer aquele quarteirão a pé é quase uma aventura – há mais buracos na calçada do que piso instalado e mantido com alguma segurança.

Não sei quantos tombos, quantas histórias as calçadas do centro de Piracicaba poderão contar diariamente, diga-se de passagem. As pessoas se acostumam até mesmo com o que é de má qualidade, e transformam em permanente o que poderia ser visto como um problema de conservação a exigir contínua atenção. Ou então, simplesmente se afastam dessas áreas. A continuar como está, o centro irá perdendo, cada vez mais, seu movimento, sua vibração, seus atrativos. Aliás, à noite no centro já de ruas quase desertas. Então, a insegurança aí vai muito além das calçadas.

 


Beatriz Vicentini é jornalista.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *