Como votarão os piracicabanos e as piracicabanas?

Como votarão os piracicabanos e as piracicabanas?

Pode acreditar. As eleições acontecem agora, no domingo – dia 4. Não parece, a gente sabe. Mas é verdade. Não fosse pela poluição visual dos chamados wind banners espalhados pela cidade e a atmosfera eleitoral local passaria nas mais insossas e brancas nuvens que há tempos não se via em terras piracicabanas. Para ajudar, pasme-se, a Prefeitura de Piracicaba recebe com as honras da casa um evento da Oktoberfest em pleno Engenho Central – como bem destacou a jornalista Beatriz Vicentini em sua página no Facebook. Diante desse quadro, uma pergunta inicial se faz necessária em mais este editorial: não se fazem mais eleições como antigamente ou o baixo interesse pelo imenso pleito que se aproxima tem um sentido simbólico maior do sonha a nossa vã filosofia capiracicabana?

Oficialmente, a campanha eleitoral de primeiro turno no rádio e na televisão se encerra hoje, quinta-feira (1). Também se encerra hoje o prazo para propaganda eleitoral paga nas redes sociais – restando aos candidatos porem fim as suas campanhas de rua até o dia 3. Mesmo diante desse prazo apertado, as casas piracicabanas parecem pouco enfeitadas com bandeiras ou banners eleitorais como se via antigamente. Mesmo a sanha nacionalista extremista – que inundou a cidade e o país de bandeiras nacionais em eleições recentes – parece agora não encontrar a mesma força de antes. O fato é que, no cafezinho ou na cerveja de fim de tarde no boteco, o papo de política deu lugar a outros temas mais prosaicos – como o desempenho (ou o mau desempenho, seria melhor dizer) da seleção brasileira, por exemplo.

A resposta a essa apatia eleitoral certamente se compõe de diversas partes e se justifica a partir de premissas variadas. Dentre elas, talvez, esteja o cansaço e a desilusão da população com a vida política nacional e – também, quem sabe – uma solidificação do voto do eleitorado piracicabano nesse e naquele candidato e partido. Quer dizer, diante de um cenário cristalizado e de voto resolvido, resta pouco a ser discutido e há pouca vontade ou pouca margem para se desejar (ainda) querer virar votos aqui e ali.

Cidade bolsonarista até a medula, Piracicaba viu seus prefeitos recentes (o atual e o anterior) – ligados ambos ao bolsonarismo- entrarem para o rol dos piores da nossa história. No mesmo sentido, caminha também a nossa Câmara – majoritariamente bolsonarista e terrivelmente evangélica e inerte (diga-se de passagem). Assim, e juntando-se essa observação à apatia eleitoral que destacamos, cumpre também perguntar: como votarão os piracabanos? Teremos por aqui uma votação novamente na casa dos 80 por cento para a família bolsonaro? Pesará na consciência do nosso cidadão a realidade dos fatos nacionais e locais sobre o bolsonarismo? E mais: quais dos nosso candidatos e candidatas locais conseguirão ser eleitos para a Assembleia Estadual ou Câmara Federal? Poderemos ter novidades?

A depender do resultado de domingo, também um novo cenário eleitoral local começa a ser desenhado para as eleições de 2028 – para Prefeitura e Câmara. Talvez a suposta apatia que nos toma venha a refletir justamente a manutenção (terrível) da mesmice e do conservadorismo de sempre. Nessa trilha, silêncio e apatia simbolizariam justamente a continuidade da péssima realidade de nossa política municipal. Se há alguma mudança sendo engendrada no coração do nosso eleitor e da nossa eleitora local, tal mudança soará como surpresa no domingo – o que, convenhamos, parecer ser um pouco difícil de vermos acontecer. Afinal, novos tempos políticos parecem cada vez mais distantes – e cada vez mais silenciosos – nesta terra onde o peixe para.

Aguardemos.

 


Diário do Engenho.

 

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