Dentre tantas camadas que compõe o complexo cenário das eleições no Brasil, uma das mais interessantes surgiu nestes dias que antecedem o primeiro turno – que se dará no próximo dia 4. Trata-se da polêmica envolvendo a santa padroeira do país, Nossa Senhora Aparecida, e seu desprestígio junto ao séquito bolsonarista que tenta eleger presidente do Brasil o filho 01 do “ex-capitão” e ex-presidente que segue a soluçar em prisão domiciliar.
Em meio à polêmica sobre a sanha bolsonarista contra Nossa Senhora – e a possibilidade aventada de se retirar Nossa Senhora Aparecida de seu lugar de padroeira do Brasil (em claro atendimento à massa evangélica que luta para eleger o representante dos Bolsonaro) – a fé católica mais uma vez se vê confrontada com o poder evangélico que vem dominando o país, há décadas, dia a dia.
Ora, se esse domínio político e mesmo territorial dos evangélicos (especialmente os neopentecostais) sobre católicos vem se dando há muito tempo em terras brasileiras – na execução de um muito bem pensado plano cujas antigas raízes, americanas, vale lembrar, estão em grande parte fincadas na reação ianque à teologia da libertação –, o posicionamento dos católicos diante de tal força nunca se fez tão necessário ser manifestado e ouvido como agora.
Quer dizer, o que farão os católicos nestas eleições? Darão preferência ao antipetismo que domina grande parte desse heterogêneo grupo religioso e seguirão incrédulos diante do projeto evangélico que sustenta parte fundamental da campanha de Flávio? Apostarão, agora crédulos, na palavra duvidosa de um candidato diuturnamente pego na mentira? Relativizarão o mote evangélico “Jesus Cristo é o Senhor do Brasil” em detrimento à padroeira do Brasil e fecharão os olhos para uma real ameaça ao catolicismo no país? Renegarão o posicionamento da CNBB sobre as eleições e sobre os ataques sofridos? Ou dirão não a quem faz da fé um balcão de negócios e votarão em Lula ou em outro candidato que não o do clã bolsonarista? E mais, nesse imbróglio quase indissolúvel, o que pesará mais para os católicos: uma tentativa de preservação da fé por meio de uma opção política ou a reafirmação de uma preferência política que coloque o próprio catolicismo em risco?
As respostas a essas questões conheceremos em breve. Seu efeito, todavia, deverá ser notado ao longo dos próximos quatro anos. No entanto, importa reconhecer que em jogo, junto com o futuro do país, está também o futuro do próprio catolicismo em terras brasileiras. Numa desastrosa e sempre terrível mistura entre política e religião, não poderão mais os católicos não se colocarem enquanto coletivo (ainda poderoso) nas urnas. Farão isso? É esperar para ver. Oremos.
Diário do Engenho.
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