Entrevista com Adelino de Oliveira – pré-candidato à prefeitura de Piracicaba pelo Partido dos Trabalhadores.

O Diário do Engenho conversou com o pré-candidato à prefeitura de Piracicaba pelo Partido dos Trabalhos (PT), professor Adelino Francisco de Oliveira, e traz abaixo uma rápida entrevista realizada com ele.

Professor de filosofia no Instituto Federal de São Paulo, onde também coordena o curso de pós-graduação em Direitos Humanos, Adelino – por muitos anos – foi também professor de Teologia em cursos da diocese de Piracicaba, além de atuar na comunidade sempre em prol dos menos favorecidos.

Confira abaixo a entrevista com ele.

DE: Por que você está se propondo como pré-candidato a prefeito de Piracicaba?

Adelino: Entendo que ser pré-candidato é, acima de tudo, colocar-se a serviço da cidade, trazendo ideias e projetos para o município.

Todos os cidadãos deveriam se colocar como pré-candidatos, no sentido de disponibilizarem suas qualidades e conhecimentos para melhorar a vida na cidade.

Importante conceber a gestão pública a partir da disponibilidade para servir, vislumbrando os interesses coletivos, o bem comum, com transparência e responsabilidade.

DE: Por que se candidatar pelo PT? O PT não está marcado negativamente em Piracicaba e no Brasil?

Adelino: É preciso reconhecer que o PT é um grande partido político, que carrega uma história muito bonita de luta e defesa dos direitos das classes trabalhadoras. É um partido que está totalmente comprometido com a democracia. Para o PT Estado Democrático de Direito significa respeito aos princípios constitucionais. Isso implica estar sob o primado do direito e da promoção da justiça social, combatendo situações que geram injustiças e desigualdades.

O PT é um partido que tem sido duramente atacado, especialmente agora por meio das fake news. Na verdade, desde sua origem o partido sofre ataques.

Se é preciso reconhecer que o PT cometeu equívocos, é fundamental também enfatizar que o partido acertou muito, transformando tão profundamente o país.Há um reconhecimento, em Piracicaba, do excelente e memorável governo de José Machado. Os avanços sociais promovidos ao longo dos governos do PT, sob a liderança de Machado ainda marcam a vida na cidade. A integração do transporte público, o fortalecimento dos conselhos, o orçamento participativo, o projeto Beira-Rio, a aquisição do complexo urbanístico do Parque do Engenho, a construção da Ponte Pênsil são alguns exemplos de uma gestão profundamente comprometida com a promoção e fortalecimento da cidadania.

Adelino e o ex-prefeito José Machado.

DE: Você é de Piracicaba? Qual sua ligação com a cidade? E quem é o Adelino?

Adelino: Eu nasci em São Paulo, na região sul da cidade, no bairro Rio Bonito, Interlagos. Periferia da capital. Sou casado e pai de três filhas.

Estou em Piracicaba faz 20 anos. Na verdade, já passei quase metade de minha vida aqui, em terras piracicabanas. Sinto-me totalmente integrado à vida piracicabana. Admiro muito essa cidade, com seus marcantes traços culturais.

Agora há uma informação interessante, os ancestrais de minha esposa estão na origem da cidade. A tataravó da minha companheira é piracicabana, cuja família esteve por aqui desde a fundação da cidade. Foi uma grande alegria ao acessarmos a história da família.

O fundamental é que vivo em Piracicaba, aqui trabalho e tenho minha família. Devo muito à cidade de Piracicaba, quero retribuir colocando-me a serviço de sua população, pensando uma gestão democrática e inclusiva, tocando em temas sensíveis para todos: desigualdade, sustentabilidade, juventude, mobilidade, dentre outros pontos fundamentais.

DE: Em relação à política nacional, como você está vendo a política do governo Bolsonaro? O que você pensa sobre a Reforma da Previdência e sobre o pacote de Paulo Guedes?

Adelino: A política em âmbito nacional está um desastre. Temos um governo que não tem nenhum projeto de cunho social. É um governo que não apresenta absolutamente nada. É um governo vazio, do ponto de vista da construção de um país mais justo e solidário.

Esse governo, com seu projeto de morte, só responde aos interesses do grande capital. O resultado já está sendo percebido: os pobres estão cada vez mais pobres e os ricos, mais ricos. Parcela significativa da população voltou a passar fome. Acho que isso resume o que tem sido este governo.

Desde 2016, culminando com o atual governo, as desigualdades sociais, decorrentes da injusta distribuição de riquezas, só têm aumentado no país.

Sabemos que o governo acabou de encaminhar para o Congresso um pacote econômico que propõe um radical ajuste fiscal, aprofundando desigualdades. O plano é mudar dispositivos constitucionais, condicionando direitos sociais a existência do dinheiro em caixa. Quando houver crise, a população mais vulnerável estará desassistida e não haverá garantias.

Caminharemos para o colapso.

DE: Na sua opinião, será mais fácil ou mais difícil de se fazer a gestão de uma cidade a partir do governo Bolsonaro?

Adelino: O desmonte do Estado Brasileiro, promovido pela política da morte do atual governo, é tão grave que todas as cidades já sentem seus terríveis efeitos.

Por isso a importância de se ter gestores públicos, no contexto dos municípios, comprometidos com o desenvolvimento local e com a promoção social, trabalhando para que a cidade seja um direito de todos os piracicabanos.

De: O que representa para o país a liberdade do ex-presidente Lula?

Adelino: A liberdade de Lula representa o restabelecimento da ordem constitucional. A sociedade deve ser regida por leis objetivas que servem a todos os cidadãos. Na base da sociedade contemporânea está o princípio do direito. Sem direito não há justiça, nem para Lula nem para ninguém.

É preciso ressaltar ainda que o ex-presidente Lula não teve um julgamento imparcial, como rege o princípio do direito. Com a liberdade de Lula abre-se um novo ciclo de debate político no Brasil. É preciso repensar o projeto de sociedade que está sendo implementado pelo atual governo.

Lula pode trazer a discussão política para o campo dos direitos, da proteção social e do lugar da Constituição.

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