Com Coragem e Esperança – É Tempo de Reeleger a Democracia, a Soberania e os Direitos de Cidadania

Com Coragem e Esperança – É Tempo de Reeleger a Democracia, a Soberania e os Direitos de Cidadania

O mundo inteiro, com olhos atentos e coração pulsando, volta suas atenções ao Brasil, na expectativa de decifrar a encruzilhada da democracia ocidental, sedimentada nos velhos princípios civilizatórias, construídos ao longo de dois mil anos de história. O mundo entendeu – o que parte do Brasil ainda nem se deu conta! – que o que se coloca em jogo na eleição presidencial no Brasil é bem mais que uma simples disputa entre candidaturas antagônicas. O que está em questão é a afirmação ou não de uma concepção de mundo e sociedade; o que está na mesa eleitoral é nada menos do que o próprio futuro, tanto para o meio ambiente quanto para as relações em sociedade.

Em um passado não muito distante, no contexto do início até meados do século XX, o programa do fascismo mostrou os seus dentes, em um projeto político de dominação global. Foram necessárias duas grandes guerras e a morte de milhões de pessoas, para conter o nefasto programa que avançava sobre a Europa. Agora, diante de um mundo sem memória, o extremismo de direita, com seus mesmos discursos, preconceitos, pautas e dentes a mostra volta a se apresentar, advogando a violência e o ódio como balizas para um retrocesso anunciado.

A eleição no Brasil reflete, exatamente, as dores de um mundo perdido, mergulhado em crise e desencanto. O fascismo do extremismo de direita, sem meias palavras, anuncia o fim de toda esperança, sob o signo de crianças armadas, em uma lógica invertida – própria do ensaio sobre a cegueira – que legitima e advoga em prol da indiferença, da devastação ambiental, da exploração econômica, da exclusão, do racismo e de toda sorte de preconceitos.

É preciso ressaltar que o fascismo neoliberal não é um termo abstrato ou vazio, sua política traz consequências reais – como já trouxe no passado –,definindo quem pode viver e quem deve morrer. É a política da morte (necropolítica), baseada em um sistema de exploração e opressão, que concentra poder, para retirar do povo as parcas conquistas de direitos sociais, culturais, políticos e econômicos. O programa do fascismo neoliberal avança para aniquilar qualquer perspectiva de um país soberano e livre, com democracia e direitos de cidadania.

As forças econômicas, que sustentam a dinâmica de uma sociedade profundamente injusta, já se colocam em movimento para eleger o fascismo, visando renovar e intensificar o perverso ciclo de acumulação e concentração de dinheiro. A manipulação dos algoritmos das redes sociais, o controle da mídia coorporativa, a instrumentalização das igrejas, a produção e disseminação de fake news e até a interferência externa por parte do governo estadunidense de Trump fazem parte das estratégias desleais e sujas para eleger o extremismo de direita no Brasil, induzindo o povo a votar em seu algoz.

Diante do cenário político eleitoral, não cabem eufemismos nem contemporizações. Não há possibilidade de diálogo com o fascismo, que prega, abertamente, o aniquilamento do outro, daquele que pensa diferente. O terror do extremismo de direita procura assolar os sonhos de um novo tempo. É sobre isso que se trata o processo eleitoral que está em curso no país. Por isso o mundo acompanha com perplexidade. O Brasil pode sucumbir ao programa do fascismo ou pode se levantar, como uma muralha democrática de contensão, sustentando os princípios civilizatórios – a democracia, a soberania, a liberdade, a ecologia, a ética, a solidariedade, a cidadania e os direitos humanos.

Para denunciar, resistir e se levantar contra o programa de morte do fascismo neoliberal, defendido pelo extremismo de direita, é preciso despertar a capacidade de pensar; cultivar a dimensão da sensibilidade humana; recuperar o senso de ética, justiça e solidariedade; alimentar a utopia da liberdade, fraternidade e igualdade; revestir-se da coragem da verdade e alimentar, internamente, a mais profunda esperança.

Mas a democracia também não pode redundar em uma noção meramente abstrata, vazia de significado para o povo. Democracia deve representar a construção de uma sociedade com ampla participação popular, aberta a toda diversidade, livre de preconceitos, plena em direitos de cidadania e comprometida com a efetivação do programa dos direitos humanos. Os bens sociais, coletivamente produzidos, devem ser compartilhados, em uma outra dinâmica econômica, para que todos vivam com dignidade.

As eleições do Brasil colocam em questão o desafio político de olharmos para o futuro e prospectar as possibilidades de uma sociedade com justiça social e ambiental, sob o signo de crianças portando livros e cultivando a beleza ética da cultura, das artes, da preservação ambiental, das ciências, do conhecimento, tendo a vida como potência e possibilidade aberta. O Brasil está no olho do furacão, o mundo acompanha o processo eleitoral atônito, na expectativa de que o projeto civilizatório seja referendado no voto, apontando para o reinado do povo.

Sigamos, militando nas ruas e nas redes, com coragem e a mais profunda esperança, para reelegermos Lula presidente, reafirmando a utopia política de um Brasil para todos os brasileiros.

 


Adelino Francisco de Oliveira é professor no Instituto Federal de São Paulo, campus Piracicaba. 

 

 

 

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