A Queda do PIB brasileiro e a utópica solução liberal

A teoria econômica basicamente define a economia como o estudo da equação das necessidades ilimitadas da sociedade frente aos recursos limitados. Se pensarmos a economia na perspectiva mecânica, podemos afirmar que quatro motores básicos movem o espectro econômico, são eles: exportação, consumos das famílias, investimentos das empresas e gastos do governo.

No relatório do PIB do 2º trimestre de 2020 emitido pelo IBGE, ficou demonstrado a retração de -9,7% – ou seja, nossa economia andou para trás. Não obstante à pandemia, nossa trajetória já era negativa, visto que o PIB do 2º trimestre de 2019 foi de -11%. A falácia das reformas da previdência, trabalhista e a PEC do teto dos gastos se mostram insuficientes para retomada da atividade econômica.

O Ministro Paulo Guedes (que não é ignorante e age de forma proposital) minimiza o fato da retração econômica afirmando que esses dados do IBGE representam o passado, e a realidade é que o Brasil está em crescimento – falando para leigos, cunhou-se a frase “crescimento em “V”.

Analisando os 4 motores da economia e comparando com a realidade brasileira, percebe-se que a práxis liberal continua em fluxo, pois os gastos governamentais continuam fracos (mesmo com a pandemia), e continua  firme o propósito de diminuir as garantias sociais como saúde, educação, moradia, segurança etc. Mantém-se a ideia de entregar o estado para iniciativa privada a preço de ocasião. Esse motor está fraco.

Se não há investimentos governamentais que numa perspectiva keynesiana é capaz de movimentar a roda da atividade econômica para geração de empregos, o consumo das famílias fica comprometido em função da retração da renda. E esse motor também está fraco.

Os investimentos das empresas que tecnicamente o IBGE e teoria econômica chamam de FBKF (formação bruta de capital fixo) estão retraídos, visto que a indústria, o comercio e serviços vêm amargando resultados negativos. Esse motor também está fraco.

O único motor que vem apresentando um fiapo de crescimento é a exportação (puxado pelo setor agropecuário) e isso explica a malfadada política de manter o dólar alto. O setor agropecuário é concentrador de riquezas, gera poucos empregos, é poluidor, além de estar dominado pelo grande capital financeiro. Então, podemos afirmar que esse motor não é forte o suficiente, pois a exportação no Brasil representa menos de 10% do PIB.

Diante de todo este quadro apresentado, a reflexão que se faz é que o modelo de financeirização da economia, onde o capital é improdutivo e inibe os investimentos das empresas que preferem substituir pelo rentismo, conclui-se que a solução liberal para a crise econômica é pouco efetiva para a economia real, porém para garante os anseios e objetivos do capital financeiro.

Fleides Teodoro de Lima é professor de Economia e Gestão no Instituto Federal de São Paulo, campus Capivari.

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