Thanks, Greenwald!

Jornalista e advogado constitucionalista norte-americano – fundador do site The Intercept Brasil – Glenn Greenwald deu ontem (25/06) uma verdadeira aula magna sobre justiça, sobre democracia, sobre jornalismo, sobre ética e sobre respeito às instituições que devem fundamentar e garantir a democracia de um país.

Ao longo das mais de seis horas de sua participação em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados Federais, Greenwald protagonizou certamente uma das importantes e geniais cenas de toda a história do Brasil pós-ditadura militar e, em especial, do Brasil pós-golpe jurídico-parlamentar de 2016.

Mais do que isso, as declarações e explicações de Greenwald sobre o caso “MoroGate” exalavam potencial e explicitamente uma veracidade e uma lucidez há muito – mas há muito mesmo! – não mais vistas nem sentidas em terras tupiniquins dominadas por juízes políticos, por jogos mortais de poder e pelo domínio colonial da chamada grande imprensa.

Em síntese – entre afirmações, explicações, considerações e depoimentos –, cabe afirmar que o jornalista “lavou a alma” do brasileiro de bom senso e carente de momentos que sejam capazes de mostrar que a sordidez e o conchavo dos politiqueiros de plantão podem ser derrotados pela ética, pela busca da verdade nua e crua e pelo trabalho sério de um profissional com a competência de Glenn Greenwald – ganhador dos prêmios mais importantes do jornalismo mundial, como Pulitzer.

Respeitoso, tranquilo, sério, didático, contundente, profissional, Glenn Greenwald expôs com clareza absurda as raízes de um jogo sórdido e criminoso envolvendo os principais promotores e juízes da Lava-Jato. Neutro – como todo jornalista deveria aprender a ser – Greenwald provou detalhadamente que a prisão do ex-presidente Lula se deu ao arrepio da Lei e por motivos políticos, ressaltando que denunciar tal arbitrariedade não é uma questão de ideologia de esquerda ou de direita, mas uma questão de justiça e de respeito às leis do país. Dando uma aula de jornalismo, Glenn mostrou que o fazer jornalístico não pode ter o rabo preso com partidos, com instituições públicas ou privadas e com jogos variados de poder.

Ante os ataques analfabetos e ridículos de deputados da base do desgoverno que tomou o país de assalto, Greenwald respondeu a tudo com clareza impressionante – e com domínio absoluto do que estava afirmando. Nesse sentido, importa dizer ainda que nem mesmo o preconceito de alguns parlamentares da base desgovernista – no tocante à sexualidade de Glenn e a seu casamento com o deputado David Miranda (PSOL) – foram capazes de promover no jornalista qualquer tipo de irritabilidade ou descontrole. Sua fala manteve-se sempre agudamente certeira e centrada no ponto chave do que o levou à sessão na Câmara: o vazamento das mensagens trocadas entre o então juiz Sérgio Moro e os promotores da Lava-Jato.

Por assim ser, a explanação de Glenn Greenwald tornou ainda mais incabível, insustentável, vergonhosa e imoral a continuidade de Sérgio Moro no cargo de ministro da justiça – e de Deltan Delagnol na promotoria de qualquer MP. Da mesma forma, a revelação de tal conluio judicial deixa claro que todo o processo contra o ex-presidente Lula foi forjado e que sua prisão é política e arbitrária. Nesse sentido, a fala de Glenn não deixou pedra sobre pedra no que diz respeito à Lava-Jato e seus cabeças.

Ressaltando a relação reprovável e criminosa entre a acusação e a própria magistratura no caso da prisão de Lula, e de sua consequente proibição de concorrer com à Presidência da República em 2018, Glenn revelou que também ele ficou estarrecido quando se deparou com o caso e com os materiais que provam tal tramoia – e lamentou que um juiz federal tenha se sujado tanto e se comprometido tanto com jogos políticos.

Finalmente, a fala de Glenn Greenwald à Câmara nos alivia o estomago por que vemos e sentimos nela o estopim capaz de recolocar os pingo nos “is” deste país assolado por um golpe que, não feliz em derrubar um governo democrático e eleito pelo povo, ainda por cima coloca  no poder um ex-deputado que nunca, em 30 anos de legislativo, foi capaz de apresentar ao povo um único projeto sequer.

Diante de tal contribuição ao Brasil, nós, do DE, só podemos dizer: thanks, Greenwald! Sua presença e seu trabalho  em nosso país são fundamentais para que o mal não continue vencendo a todos. Quer dizer, sua presença e seu trabalho em nosso país são hoje o principal caminho para que reencontremos as trilhas da justiça devida – capaz de resgatar da sarjeta o pouco que resta do respeito às leis e ao estado democrático de direito.

(Mal podemos esperar para conhecer os próximos capítulos dessa história).

 

2 Comments on "Thanks, Greenwald!"

  1. Sensacional, Democracia e direitos a todos igualmente, sem conchavos com o poder do dinheiro que paga os maus em benefício próprio

  2. excelente matéria.

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