Brasil em Via Crucis – os 7 passos finais da derrocada do país.

 

Fervilham no caldeirão da cena nacional atual os piores e mais explosivos ingredientes que poderíamos saborear neste momento de complexa instabilidade política e social no Brasil. A bem dizer, fato é que desde a redemocratização do país (ocorrida após os anos de chumbo e de sangue da ditaburra militar) não atravessávamos por aqui um momento tão terrível e perigoso.

Partindo do impeachment da presidente Dilma Roussef, em 2016, o desgoverno plutocrático que ascendeu ao poder por meio do “grande acordo nacional” – anunciado pelo “senador” Romero Jucá – não conseguiu estabilizar e equalizar as energias da política brasileira postas a ferver ao longo do golpe contra Dilma e contra a esquerda.  Aliás, como era e é sabido, Temer e seus comparsas não detinham e não detém, mesmo, condições morais nem competência política para gestarem o país sob a égide do estado democrático de direito e sob os princípios da legalidade e da justiça.

Isto posto – e descartada a competência de quem está instalado no governo da nação – mergulha-se o país numa fossa funda e fatal, repleta de elementos dantescos capazes de – num estopim mais curto e  inesperado – fazer estalar os ânimos da população, jogando-a contra si mesma num simulacro de uma guerra civil imbecil (como todas as guerras o são) e tupiniquim.

Ao entendermos que estamos sentados sobre um barril de pólvora, elencamos 7 fatores que – a nosso ver – contribuem negativamente para que sintamos que uma intensa luz de alerta precisa ser imediatamente acesa no Brasil, sob o risco de vermos definitivamente rasgada a carta magna de nosso país e vir abaixo, em definitivo, nosso estado democrático e de direito.

De luz acesa, apresentamos abaixo assim os 7 passos que, para este espaço de opinião, engrossam o caldo de nosso calvário político-social atual em plena Semana Santa e nos colocam numa temerosa e eminente Via Crucis política, social e histórica. São esses, para esta editoria, os “passos” terríveis e mais recentes dados  rumo à crucificação da nação:

1Inépcia e corrupção do executivo – Consumido por denuncias escabrosas de corrupção – recheadas de provas cabais e gravações abjetas feitas clandestinamente em encontros macabros dentro do próprio Palácio do Planalto -, Temer e seus comparsas tiveram de negociar a alma que não tinham e gastaram rios de dinheiro público para – comprando deputados e senadores – ainda manterem-se à frente do precário governo que criaram. Perdidas as rédeas da decência que nunca houve , a plutocracia de Temer e de seu partido revelou sua essência vampiresca ao país e jogou o Brasil numa atmosfera de total descrédito e desesperança.

2 – Politização do Judiciário – Como o grande acordo nacional proposto e anunciado por Jucá envolvia o judiciário (em especial o STF) e sua politização, vimos também “nossos” mais variados magistrados nadarem num mar de lama feita de julgamentos figurativos, de acusações sem provas, de sentenças dadas por juízes fora de suas respectivas jurisprudências, de votos previamente combinados e de outras leviandades que enojaram os representantes da ONU que assistiam ao desenrolar dos julgamentos envolvendo o ex-presidente Lula e demais políticos de esquerda durante a igualmente pré-formatada Lava-Jato.

3 – A Extrema Direita – A ascensão de uma direita raivosa e extremista cujos objetivos claros são os de retirar direitos dos trabalhadores – como fizeram ao conseguirem aprovar a dita “reforma trabalhista” – e combater qualquer política pública e qualquer tipo de discurso voltado aos menos favorecidos e aos mais necessitados.

4 – Reacionarismo “crentola” – A solidificação de um reacionarismo de clara tendência religiosa,  calcado no preconceito contra grupos minoritários e no ataque direto à liberdade sexual e de gênero – uma espécie de “crentocracia” capaz de arrastar multidões de fiéis bitolados e de eleger prefeitos, deputados e senadores (e de colocar em segunda lugar nas pesquisas para presidente da república um títere quebrado e sem neurônios).

5 – O jogo de cena da Imprensa – O comprometimento da chamada grande imprensa com a difamação da esquerda nacional e exaltação da direita. O abrandamento de casos escabrosos de corrupção envolvendo partidos que compactuaram para a queda de Dilma e a interpretação tendenciosa e falaciosa da defesa que o e x-presidente Lula faz de si mesmo junto a um judiciário fechado em seus próprios acordos.

6 -O ataque aos Direitos Humanos –  O ataque feroz aos direitos humanos e a seus defensores – cujo ponto máximo de imoralidade e covardia levou ao brutal assassinato da vereadora Marielle Franco, do PSOL do Rio de Janeiro (sem contar, ainda, a duvidosa intervenção militar que acontece no Rio).

7 – O Ataque à liberdade política – O ataque ao direito constitucional da liberdade de expressão política, cujo ápice (até o momento) culmina na agressão – feita por milícias políticas  – à caravana do ex-presidente Lula por cidades da região Sul do país; quando pedras, paus e mesmo tiros de revólveres tentaram inibir a passagem da caravana, colocando em risco a todos os que ali se manifestavam pacífica e politicamente.

Pós-páscoa, a possibilidade de se imolar de vez a liberdade política e o senso de justiça e de direito deve tornar-se ainda mais real. No próximo dia 4 de abril, o julgamento  – pelo STF – do habeas corpus preventivo do ex-presidente Lula deve colocar ainda mais em confronto as militâncias políticas do país. Qualquer que seja o veredito final da Suprema Corte, sua decisão não agradará a uma ou a outra significativa parcela da polarizada nação brasileira.

O risco de convulsão social é grande.

Aproveitemos o fim de semana e a Páscoa do Senhor enquanto é tempo.

 

 

 

 

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