“Muy amigos” – A derrocada do PSDB

 

A carapuça de teflon que cobriu por décadas a cara do PSDB e de seus filiados ruiu completamente no último mês. Se até então os escândalos da política nacional – atirados aqui e ali ao rosto dos PSDBistas – pareciam escorrer rapidamente de suas faces, agora o partido foi desnudado a olhos vistos e teve revelado publicamente seu verdadeiro interior (repleto de bolor e muita sujeira).

Envolvido em casos de corrupção nas esferas municipais, estaduais e mesmo no plano nacional, o PSDB luta para manter diante de para seu eleitor a pleura neutra que sempre lhe envolveu seus órgãos políticos. Mas tal esforço parece não estar funcionando, uma vez que fatos e versões veiculados pela grande mídia sangram o partido como nunca antes se viu – permanecendo oculto, ao menos por enquanto, os motivos que levaram a essa mesma grande mídia, sempre zelosa na proteção dos tucanos, a abrirem uma ainda amena temporada de caça aos de bico amarelo e penas azuis.

Em razão disso, arautos emplumados do PSDB, como o presidente nacional do partido – o senador Aécio Neves – veem-se hoje depenados em grampos e delações de ações criminosas de vulto estarrecedor. Alvos de inúmeros inquéritos e processos judiciais (que vão desde um sem-fim de acusações referentes a supostos esquemas de licitação irregular pipocando aqui e ali, a supostas fraudes envolvendo a merenda de escolas públicas, passando pelos casos dos trens e metros de São Paulo e chegando com largos e fartos indícios de corrupção em Furnas, Vale e recebimento de propina via JBS e outros – tudo, é fato, ainda a ser processado e julgado),  lambuza-se o tucanato no mesmo melado dos demais partidos que, outrora, eram acusados e achincalhados pelos próprios PSDBistas. Pior. Se for realmente comprovado e a confirmado o teor das acusações apontadas pela Polícia Federal e Ministério Público, estaremos diante de um dos mais antigos e gigantescos esquemas de crimes políticos de nossa história – capaz fazer o mensalão do PT parecer brincadeira de adolescente.

Enquanto os tucanos correm para se defender, o partido segue em cima do muro no que diz respeito a sair ou não do governo ilegítimo que ajudou a tomar o país. Maior partido da base aliada do (des)governo Temer, o PSDB resolveu permanecer no governo até que algo novo surja contra Temer. Em reunião ocorrida na última segunda (12), em Brasília, os tucanos decidiram permanecer com o governo até que algo de pior aconteça. Quer dizer, se forem sufocadas as acusações contra Temer e se tornar visível sua derrocada final, os tucanos pularão fora do barco no último momento. Se as acusações contra Temer forem encobertas pela justiça, pela câmara e pelo senado – tal com vem acontecendo – então os tucanos ficam no governo.

Em linguagem de dia de semana, talvez possamos sintetizar a posição do PSDB da seguinte forma: “estou com você até o bicho pegar, se o circo pegar fogo eu pulo fora.” Nada mais ético para aqueles que sempre se colocaram como baluartes da moral e dos bons costumes.

“Muy amigos” – diria Gardélon,  aquele velho personagem de Jô Soares.”Só faço isso porque soy teu amigo, muy amigo”.

Temer e o PMDB, Judas Escariotes de Dilma, agora dormem ao lado de seu próprio Judas.

Com amigos assim, talvez não se precise de inimigos.

A história realmente se repete.

 

 

 

 



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