Síntese e delicadeza na obra de Alzira Ballestero

Síntese e delicadeza na obra de Alzira Ballestero

Quem trava contato com a obra da artista Alzira Ballestero logo se impacta com a delicadeza de seus trabalhos – desenvolvidos em diferentes linguagens, técnicas e suportes.  Com especialização pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Alzira é artista visual singular no cenário das artes piracicabanas, circulando por esse universo – tal como o faz em sua produção – de maneira muito sutil, pontual, objetiva e (muito) delicada.  Sem grandes alardes, sem pirotecnia, sem exageros, sem grandes movimentos expansivos midiáticos, Alzira Ballestero produz e expõe trabalhos de beleza minuciosa, de delicadeza rara e síntese única.

Beleza, delicadeza e síntese – aliás – é o que se pode ver, por exemplo, em sua exposição individual Âmago, ocorrida em novembro de 2024, no Ateliê Casa 03, com curadoria da artista Renata Ghirotto. Com trabalhos em diferentes técnicas e suportes (ora com tinta sobre madeira, ora com linhas, miçangas e tecidos substituindo pincéis e tintas, ora misturando em colagens a linguagem visual e a verbal com extrema singeleza e cuidado), a exposição trouxe a público o olhar da artista para seu próprio interior, para o feminino, para paisagens e memórias afetivas de infância.

Paisagens Alheias. Óleo s/tela 10x15cm

Em sua participação no 1º Festival de Aquarelas da Galeria 3, que aconteceu agora, nos dias 21 e 22 de março, e reuniu um grande número de aquarelistas de Piracicaba e região – em atividade que marcou o calendário artístico no fim de semana -, Alzira Ballestero mostrou mais uma vez toda a força de uma obra repleta de simplicidade marcante e que aparece enredada num imenso campo de significantes e significados. Valorizando cores e linhas sobre a imensidão do branco, a artista apresentou obras comoventes em que o abstrato e o verbal por vezes se destacavam em um diálogo que é, ao mesmo tempo, sintético e extremamente profundo.

Parte dessa exposição contou com trabalhos que Alzira produziu a partir da leitura do livro de poemas Casa Burguesa Sem Chave – de autoria deste escrivinhador aqui (que, claro, não deixará de registra sua alegria e gratidão diante dessa que é – mais uma vez – uma imensa delicadeza da artista para com outro artista). Tomando os poemas do livro como inspiração e não como obra a ser ilustrada – como bem frisou a artista -, as aquarelas de Alzira Ballestero releem o livro de forma enigmática – são tocantes e ao mesmo tempo revelam (outra vez) toda a capacidade da artista em reunir beleza e síntese de maneira absolutamente singular.

“Amor é tarde”. Aquarela e colagem, 30 x 20 cm

 

Diante da potência do trabalho de Alzira Ballestero  – e de tantos artistas do município, em suas diferentes linguagens e produções -, não há como deixar de pensar que Piracicaba seria uma cidade muito diferente e muito melhor se o poder público tivesse a decência de voltar sua atenção para a imensidão do que se produz aqui. É de causar espanto (e admiração) perceber que tantos artistas incríveis desta cidade (ainda) resistem e seguem estudando e produzindo de maneira totalmente autônoma e independente.

Que a síntese da beleza e as vibrações sempre sensíveis de Alzira Ballestero sigam, assim, nos impulsionando a produzir – e nos inspirando a perceber e a sentir, com leveza e delicadeza, o poder da arte em nossas vidas. Bravo, Alzira!

* Acompanhe o trabalho de Alzira Ballestero pelo Instagram. Acesse a página da artista pelo endereço:  https://www.instagram.com/alzira.ballestero/

 


Alexandre Bragion é editor do Diário do Engenho.

 

 

 

 

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