Ansioso leitor, ansiosa leitora. É Páscoa. Ou quase. É tempo de paz e união — ou, ao menos, deveria ser. Por isso, vá com calma neste sábado de “malhação” — sô! Malhe o seu Judas, mas de leve e com amor no coração. Afinal, em tempos de politicamente correto, você não vai querer dar bandeira de que carrega no peito um odiozinho qualquer — não é mesmo? Gratiluz! E fiquem tranquilos e tranquilas: a gente sabe — pode confiar — que não faltam Judas nas nossas vidas que precisariam (ou, ao menos, a gente acha que precisariam) passar por um momento especial de “catarse”.
A política, por exemplo, é um celeiro de Judas. Traidores no cenário político é coisa que se vê aos montes — e nós não vamos aqui ficar, deselegantemente, apontando nomes (ou fofocando, como não gostamos de fazer). Claro que não. É Páscoa. Mas aquele olhar rápido na história recente da cidade faria logo a gente escrever uma lista de vários Judas piracicabentos. Vamos a alguns? — nada de nomes! Lembremos com amor daqueles que, em outros tempos, entregaram ou ajudaram a entregar a nossa Pinacoteca por parcos trinta dinheiros (calma, lá! É uma metáfora. Sosseguem). E não faltaram Judas no apoio a esse projeto sem sentido e traidor da nossa história e cultura. E lá se foi, imolada, a nossa Pinacoteca amada — agora transferida e transformada em uma (bela) galeria no Engenho Central. Mas galeria. Pinacoteca, mesmo, nem Judas deu jeito de fazer.
Também por aqui houve — ao que parece, são fofocas — um jogo político em que um compadre saiu candidato para ajudar outro. Mas, na hora do vamovê, a coisa se inverteu e — lá vem Judas de novo — a troca não foi desfeita, e quem era para sair ficou — e ganhou. Será mesmo? Deve ser exagero. No Legislativo da terrinha também (parece) não faltam histórias de puxadas de tapete que — de verdade — não valem a pena serem fofocadas (até porque a gente não é dado à fofoca). Em todo caso, vale lembrar ou só dar uma olhadinha em uma dança de cadeiras que aconteceu nos últimos tempos. E dentro do mesmo partido (é claro). Se houve traição ou não, só Deus (e Judas) para saber.
No plano nacional, também não faltam Judas tentando vender a pátria aos gringos — e faz tempo! E, pior, nesse caso, há Judas sendo aplaudidos por parte da sociedade e (ainda por cima) subindo nas pesquisas eleitorais. Ora, como disse o vice-presidente Geraldo Alckmin nesta semana, quem defende a ditadura não poderia sequer ser candidato. Ou, em linguagem bíblica apropriada para este sábado religioso: Judas e outros vendilhões e traidores da pátria não deveriam ser aceitos como candidatos. O que dizer, então, dos judas que votam neles e esperam que sejam eleitos?
Santa Semana Santa! Haja paciência. Uma pena que não se fazem mais Sábados de Aleluia como antigamente.
Gratiluz! E boa páscoa!
