Parece que aquela ansiedade quase infantil que toma conta de quem faz uma compra e quer logo receber o produto em casa não faz parte do perfil dos compradores – podemos chamar assim? – do antigo campus Taquaral e da Escola de Música de Piracicaba. Cada um a seu modo, ao que parece esses compradores não estão lá com pressa alguma em tomar posse do que compraram. Será exagero de nossa parte? Será chatice nossa essa observação? Ora, como este site não é investigativo nem quer criar cizânias com ninguém, afirmamos desde já que essa questão é apenas um ligeiro incômodo que – feito grilo – tem cricrilado na nossa mente aqui no DE – nada mais do que isso. Agora, e se perguntar não ofende, diga-se lá então: por que raios é que os novos donos desses espaços ainda não tomaram posse deles?
Sendo os nossos leitores e leitoras, aqui, boas almas e boas pessoas (e não pessoas de bem, Deus nos livre!), alguns poderão dizer que o que estamos fazendo aqui é fofoca. Assim, de antemão este Diário já se desculpa pelo tom (sim) de fofoca. Mas, vejam lá! Curiosidade é coceira da boa! E a nossa é do tipo que dá na cuca de gente que ainda tem – pasme-se – algum carinho tolo e nostálgico por essas instituições que tanto ofereceram a nossa cidade-engenho. Que fofoca seja, caramba! Coisa boba. Coisa de gente apegada à cultura, à educação e a outras coisas assim tão démodés. Liguem, não. E mais (e pior): nossa fofoca aqui é coisa de gente que (como nós) não tem dinheiro. Porque quem tem, e isso sim dever ser moda, agora compra e não leva. E o que é que a gente aqui do Diário tem a ver com isso? Nada. Só fofoca mesmo. Porque fofoca também nunca sai de moda.
Que os nossos leitores e leitoras sejam tolerantes com a gente. Nada de rancores! É que, confessemos, intriga saber o que os novos compradores da Unimep vão fazer com os mais de 300 mil livros da biblioteca lá do Taquaral. Também intriga saber o que vai acontecer com o órgão de tubos da capela, com o piano Steinway (estreado por ninguém menos do que Nelson Freire) e que está (estava?) no Teatro do Taquaral. Também intriga saber o fim que será dado a todo o mobiliário que está (estava?) no Taquaral – transformando o campus, segundo as más línguas fofoqueiras andam dizendo, num ambiente parecido com o cenário de um filme de fim de mundo (lembrando também as cidades fantasmas ou regiões aniquiladas por imensas catástrofes como – dizem – Chernobil). Mas reafirmemos: tudo isso é apenas fofoca. Mesmo! Porque nada de oficial se sabe, não é?
Idem com batatas acontece com a Escola de Música. Para onde vão – ou já foram – os instrumentos que estão (estariam) por lá? E o acervo do maestro? As partituras? As estantes? Ai, como é duro viver de fofocas. Eita, curiosidade! E quem comprou tudo não quis a chave? Por que os metodistas ainda estão por lá? Difícil entender. Serão esses os novos tempos da educação que tanto se aguardava? Novos tempos em que quem compra não quer pegar. E mais (se, de novo, perguntar não ofende): a Escola de música – patrimônio imaterial tombado – vai mesmo, como antigamente anunciado, ser alocada numa “casinha?” Onde? Ou eram apenas fofocas?
O que não é fofoca é que na última semana o ex-prefeito Barjas Negri soltou na impressa local artigos (muito bons, aliás) sobre o que foi a Unimep e qual a importância que ela teve para Piracicaba. E lá vamos nós: já pensou o nosso leitor e a nossa leitora como ficou a nossa curiosidade aqui no Diário? Vejam – e todo bom fofoqueira adora fazer sínteses: os prédios vendidos seguem ainda com os antigos donos, os credores continuam sem receber, o ex-prefeito retomando o assunto. Ai! Como é duro ser, como a gente, fofoqueiro! Haja imaginação! Mas… será que vem ou tem coisa aí?
Provavelmente, não. Deixem estar. Deve ser tudo fofoca.
Diário do Engenho.

Eu sempre penso em onde foram parar os livros da biblioteca.