A Venezuela de Temer – o golpe dentro do golpe

 

A política fracassada de Michel Temer e a inépcia absoluta de seu governo colocam o Brasil num situação que, em muito, lembra algumas das clássicas cenas que a mídia brasileira veicula por aqui quando quer retratar o caos político e social instaurado na Venezuela. Filas intermináveis em postos de combustíveis, supermercados repletos de clientes apavorados pelo medo de ficar sem alimentos, estradas bloqueadas por grevistas, dólar nas alturas, desemprego estratosférico etc.

Alçado ao poder por meio de um golpe parlamentar aprovado pela câmara, senado e STF, Temer e seus “aliados” afundaram o país numa crise já bem maior do que a que assolou o governo Dilma. Gravado em áudios escusos e pego em flagrante delito na calada da noite, Temer todavia garante-se no poder por meio de acordões igualmente escusos e imorais.

No entanto, sua inabilidade política faz com que seus desmandos tirem-lhe dos pés a “ponte para o futuro” prometida pelo “presidente” aos país.  Paradoxalmente, sua própria incompetência e a de seus ministros devolvem à população – especialmente a que apoiou o golpe contra Dilma – um país que é a imagem de tudo aquilo que a população mais teme.

Com uma rejeição histórica imbatível, Temer se consagra às avessas como um dos piores – senão o pior – presidente do país desde a abertura democrática. Pior. Seu raquitismo político ameaça jogar o país na lona política e social – e dá guarida para vermos se concretizar o risco do que os analistas políticos vêm chamando de “golpe dentro do golpe”.

Isso porque, nesta quinta, enquanto o país parava sem combustível e transporte, a comissão de Constituição e Justiça do senado aprovava as regras para eleições indiretas para presidente do Brasil e Vice – em caso de “vacância” do cargo. Repitamos: eleições indiretas em caso de vacância do cargo de presidente.

Na Venezuela de Temer, fica agora a pergunta: uma possível renúncia de Temer pouco antes das eleições – e diante de um país em grave crise – daria ou não daria margens para se pleitear uma eleição indireta que mantivesse no poder, por toda uma gestão, um candidato mais uma vez não escolhido pelo povo?

É esperar para ver.

 

 

 

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