Unimep em luta – confira resumo da reunião aberta na Câmara dos Vereadores.

 

Em reunião pública ocorrida nesta quinta-feira (17), com início às 14h, a Câmara dos Vereadores de Piracicaba discutiu a crise na Unimep. Vereadores apoiaram a causa dos professores, alunos e funcionários e repudiaram com veemência a Rede Metodista de Ensino.

 

Em reunião pública marcada pela emoção, pelo apoio total e irrestrito à causa dos professores, alunos e funcionários da Unimep, a Câmara dos Vereadores de Piracicaba declarou seu importante e histórico apoio ao movimento grevista que pede – entre outras pautas – a retomada da autonomia universitária da Universidade Metodista de Piracicaba.

Unanimemente, todos que ocuparam a tribuna da Câmara – entre vereadores, líderes sindicais, representantes de entidades locais, professores da Unimep, funcionário e alunos – exaltaram a importância da Unimep na educação local e nacional, e se disseram indignados com a postura com a qual a Rede Metodista vem tratando a Universidade Metodista de Piracicaba. Muitos, inclusive, declararam seu amor pela Unimep e colocaram-se pessoalmente dispostos a lutar pela instituição.

Da mesma forma, os senhores vereadores – sem exceção – revelaram-se inconformados com o descrédito com que a Rede Metodista tratou o convite que a Câmara lhe fez para que enviasse à reunião ao menos um de seus representantes. A não presença da Rede à sessão foi entendida por todos como sinal de descaso para com a crise na Unimep, para com a Câmara dos Vereadores e para com a cidade de Piracicaba como um todo.

Para oferecer aos leitores uma noção mais detalhada do que aconteceu nessa sessão que entra definitivamente para a história da Unimep como um marco na luta e resistência de seus professores, alunos e funcionários contra a Rede Metodista de Ensino, o Diário do Engenho oferece abaixo um breve resumo dos principais pontos do que aconteceu por lá.

 

Matheus Erler – abertura da seção.

O presidente da Câmara dos Vereadores de Piracicaba, o vereador e advogado Matheus Erler, abriu sessão pública para discussão da crise na Unimep expondo aos presentes todos os problemas que a Rede Metodista de Ensino causou à Universidade Metodista de Piracicaba nos últimos anos – e que, ao se agravarem no início deste semestre, culminaram na greve de professores, funcionários e alunos da instituição.

A exposição de Erler foi pontual, precisa e contundente no que tange a falta de empenho e interesse da Rede Metodista em abrir diálogos para se chegar ao fim dessa crise. Indignado, o presidente da câmara declarou estar perplexo diante da negativa da Rede em sequer dar uma devolutiva ao convite que a Câmara dos Vereadores de Piracicaba fez para que ao menos um representante da Rede participasse da sessão.

O vereador apontou que esse fato é um sinalizador importante de a Rede Metodista vem tratando com descaso a crise que ora se abate sobre a Unimep, uma vez que a Rede se atreve ter virar às costas até mesmo ao órgão maior do legislativo piracicabano – denotando claramente, segundo Erler, o desprezo da Rede Metodista no que diz respeito à Unimep, aos alunos, aos professores e à própria câmara dos vereadores.

Por fim, Erler colocou-se completamente a favor da causa dos manifestantes, colocando-se à disposição da comunidade acadêmica da Unimep para colaborar neste momento de luta.

Vereadores Jonson e Paulo Campos

Os vereadores Jonson e Paulo Campos também ocuparam a tribuna da Câmara para manifestarem seu apoio ao movimento grevista. Ambos exaltaram – corroborando o que o presidente da Câmara havia afirmado – a importância da Unimep para a cidade de Piracicaba e região. Nesse sentido, o vereador Paulo Campos foi taxativo e repudiou com força e expressão a Rede Metodista de Ensino, ressaltando – tal como também havia feito o vereador Matheus Erler – o fato de a Rede não ter nem mesmo se dado a dignidade de responder ao convite da Câmara para participar de tal sessão pública.

Professor Márcio de Moraes

Na sequência, o professor Márcio de Moraes – demitido na última sexta-feira pela Rede Metodista – também foi convidado para ocupar a tribuna. Curiosamente, o professor Márcio ainda foi tratado pelos vereadores como “reitor”, sendo repetidamente nominado assim. Na tribuna, Márcio de Moraes agradeceu pela oportunidade e ressaltou que sua decisão de voltar o sistema eletrônico antigo – um dos motivos de sua demissão pela Rede Metodista – foi e é acertada. O professor se emocionou ao agradecer, em especial, aos discentes que ficaram ao seu lado e ocuparam o hall de entrada da reitoria no intuito de tentar inviabilizar sua demissão pela Rede.

SINPRO e ADUnimep

O presidente do SINPRO de Piracicaba e região – o “Chileno” – ocupou a tribuna e ressaltou que já era esperado que a Rede não enviasse nenhum representante para a reunião. Afirmou que é dessa forma que a Rede vem tratando a questão e o movimento de professores, funcionários e alunos.

Após ele, o presidente da ADUnimep, professor Milton Schubert Souto, corroborou a fala dos que o antecederam e afirmou ainda que a luta e a pauta da mobilização em curso é também identitária – pois professores, alunos e funcionários sentem-se aviltados no que diz respeito à autonomia universitária da Unimep; autonomia essa que, segundo ele, vem sendo tolhida pela Rede a todo momento (incluindo-se, nesse caso, a própria demissão do reitor, feita à revelia dos conselhos da universidade).

 André Bandeira

O vereador André Bandeira também fez uso da palavra e se colocou, como os demais vereadores, à disposição dos manifestantes e em prol da retomada da Unimep.

OAB

Presidente da OAB, Jefferson Goulart, também fez uso da palavra na tribuna e, como os demais, saudou o professor Márcio de Moraes como reitor da Unimep – não como ex-reitor, reiterando o fato de que a demissão do professor Márcio de Moraes foi feita à revelia dos conselhos da Unimep. Goulart também se colocou ao lado dos manifestantes e revelou que a OAB já recebeu, por parte de vários alunos, pedidos para que a OAB possa contribuir para o fim da crise na instituição.

CONESPI

O presidente do CONESPI, Wagner da Silveira, ao fazer uso da Tribuna, igualmente chamou o professor Márcio por reitor – e reafirmou que o professor Márcio “ainda é o reitor, sim”. Wagner da Silveira disse ainda que se a Rede não vem a Piracicaba, então os manifestantes precisam ir em caravana a São Paulo, “bater à porta” do diretor da Rede Metodista, Robson Aguiar, a quem chamou de “esse senhor”.

EMDAPHI

João Manuel dos Santos, presidente da EMDAPHI, também afirmou que o professor Márcio ainda é, sim, o reitor da Unimep. Manoel afirmou ainda que todos estão ao lado do professores, funcionários e alunos. João Manoel disse que o movimento ganhou ainda mais força, e cumprimentou a todos dizendo que está junto com o movimento e que a vitória será dos manifestantes.

AFIEP

Deivid Wesley Marques, representante da AFIEP – Associação dos Funcionários do Instituto Educacional Piracicaba – expôs aos presentes as dificuldades estruturais que afetam a vida dos funcionários da universidade; os quais sofrem com constantes atrasos de salários, falta de repasse aos convênios e com demissões, entre outros problemas.

Deivid ressaltou também que gostaria de ver o diretor da Rede presente à sessão, para que pudesse dialogar e responder pessoalmente as questões que são feitas e ele e as quais ele não responde quando procurado pelo movimento.

Gilmar Rota

O vereador Gilmar Rota também fez uso da Tribuna, saudou aos presentes e expressou seu apoio à causa dos manifestantes.

Natália Navarro – representante discente

A aluna Natália Navarro, representante dos discentes, também ocupou a tribuna e fez um resumo de como a crise vem afetando aos alunos da Unimep desde o início deste semestre.

Natália também revelou que, como representante discente, tentou por vezes obter um posicionamento efetivo do diretor da Rede Metodista sobre a crise e nenhuma resposta lhe foi dada – mesmo estando ela em reunião direta com o diretor da Rede, em São Paulo, ao lado dos representantes dos professores e funcionários da Unimep. Natália Navarro concluiu dizendo que os alunos seguem juntos ao lado dos professores e funcionários.

Paiva

Representando o Sindicato dos Bancários, José Antonio Fernandes Paiva manifestou também o apoio do Sindicato ao movimento grevista e salientou que não há na macrorregião de Piracicaba e Campinas um foco tão grande de resistência democrática como a Unimep.

Ressaltou ainda que viu com tristeza a omissão do ex-reitor Gustavo Jaques Dias Alvim, quando, em outros momentos, a Unimep precisou resistir para que a situação não chegasse, hoje, a esta crise.

Paiva afirmou que está “junto” e que, se for preciso, pode organizar quatro ou cinco ônibus para ir a São Paulo pressionar a Rede.

Disse ainda, em tom jocoso, que em Piracicaba, que este ano completa 250 e é o lugar onde o peixe para, e “onde o peixe para é pescar com rede é proibido”.

Paulo Henrique

O vereador Paulo Henrique, membro da Comissão de Educação da Câmara, lembrou ao presidente Robson Aguiar – a quem mandou recado direto, uma vez que a sessão foi transmitida ao vivo via TV e internet. Lembrou ao diretor da Rede que “não estamos aqui para brincadeira”. Citando passagens bíblicas, afirmou que – como cristão, vereador e pastor – vai lutar até o fim para que a justiça seja feita.

“O povo sofre, mas quando se une, a coisa vai mudar. Uma coisa é certa, a Unimep vai voltar a ser governada por justos.” E que todos  vão se orgulhar em voltar a dizer “eu sou Unimep” – concluiu o vereador.

Nancy Thame

Na sequência, a vereadora Nancy Thame também se disse emocionada e afirmou que a Unimep é história, é conhecimento. Disse ainda que não dá para haver escola sem diálogo, sem consciência crítica.  Colocou-se também em luta pela Unimep.

Evandro Evangelista

Evandro Evangelista, secretário de Trabalho, Emprego e Renda, disse que “não é possível que Piracicaba – que é a Unimep – esteja passando por isso”. Representando o prefeito de Piracicaba, colocou a prefeitura à disposição do movimento.

Palavra aberta

A palavra aberta aos presentes contou com a participação de dois alunos da universidade – que comentaram sobre atividades acadêmicas e aulas abertas – e do advogado e jornalista Homero de Carvalho, ex-aluno da Unimep. Homero manifestou seu apoio à causa e ao professor Márcio de Moraes,  a quem, citando versos de músicas de Gonzaguinha e Luiz Vieira, chamou de “menino-passarinho”.

Encerramento e propostas

Encerrando a sessão, após quase duas horas e meia de depoimentos e participações diversas na tribuna, o presidente da Câmara dos Vereadores prometeu mais uma moção de apoio aos manifestantes e pedido para a recondução do professor Márcio de Moraes ao cargo de reitor.

 


FOTOS: Fabrice Desmonts.



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