Um judiciário contra Lula.

Sejamos sinceros – independentemente de posicionamentos políticos-ideológicos: o golpe contra Lula e contra a esquerda no Brasil foi e continua sendo muito bem orquestrado.

Lembrando-se aqui das lapidares e confidentes palavras de Romero Jucá, o golpe de 2o16 parece mesmo que contou e conta com o apoio integral do congresso, do senado e do judiciário – “com o Supremo, com tudo.”

Ora. Não é preciso ser nenhuma sumidade em direito para perceber que aqueles que deveriam julgar com isenção questões de vital importância para o país não mais escondem que seu julgamento é político – e fazem isso às claras, contrariando a constituição e, mesmo, o Conselho das Nações Unidas.

Não bastasse a afronta à Carta Magna do país – rasgada à luz do sol e sob as bençãos da grande mídia ao longo de todo o processo do golpe contra Dilma, Lula e o PT -, agora o PJ (Partido da Justiça) brasileiro não se ruborizou ao desrespeitar uma orientação do Conselho das Nações Unidas. E, em julgamento antecipado de maneira escandalosa, decide (quem não sabia que isso ocorreria) proibir a participação do ex-presidente Lula na propaganda eleitoral iniciada na última sexta – mesmo dia do julgamento antecipado (às pressas) pela suprema corte eleitoral.

É inacreditável!

A sanha do judiciário contra Lula rompe em muito às raias do indecoroso. E não se trata aqui de defender o ex-presidente. Se trata, sim, de observar que nada mais limita o estado de exceção imposto pelo PJ – camuflado sobre a toga clássica que lhe impõe um falso ar de neutralidade e discernimento.

O que mais podemos esperar de um país no qual suas cortes máximas posicionam-se politicamente e agem como algozes dos réus a elas submetidos?

Durante o julgamento de Lula, os inspetores da ONU retiraram-se da corte por entenderem que assistiam a uma farsa jurídica. Fora do país, posicionaram-se claramente contra os desmandos do judiciário brasileiro no caso. Mas isso pouco importou para a imprensa nacional (comprometida com o golpe) e nada abalou as decisões da república de Curitiba.

Esperemos os próximos atos. Em breve, outro processo – agora talvez contra Fernando Haddad ou contra outro candidato de esquerda que ousar desafiar ao golpe – ridículo como esses pode e deve ser aberto a qualquer momento.

É esperar para ver.

 

 

 

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