Por que os supostos crimes de Temer agradam a classe média?

 

Provocações em forma de editorial.

 

É curioso notar como se comportam a classe média, média-alta e a chamada “elite dominante” do país.

Temer se tornou, em um ano no poder, o primeiro presidente da república – na história do Brasil – a ser acusado, ainda no poder, de um crime: corrupção passiva. No entanto, os paneleiros de plantão – outrora tão ávidos em combater a presidente Dilma – estão com suas panelas muito bem guardadinhas em seus armários. Por quê?

Ridiculamente, Temer foi flagrado num áudio comprometedor – gravado na calada da noite – no qual revela ser, ao menos, conhecedor de crimes praticados por empresários e políticos de sua mais estrita confiança. Mas a classe média e a elite nada dizem. Por quê?

Para se defender e se segurar no governo, Temer negocia cargos. No balcão parlamentar vale tudo, desde que os votos necessários para garantir Temer no poder sejam firmados. A classe média e a elite nem tomam conhecimento disso. Por quê?

A Procuradoria Geral da República e a Polícia Federal acusam formalmente a Temer de crimes contra a pátria. O dólar sobe. A bolsa cai. No entanto, a classe média e a elite se emudecem. Nenhuma manifestação. Nem uma panelinha. Nada. Por quê?

O “faz-tudo” de Temer é flagrado com um mala de dinheiro – a ser entregue a Temer. O “faz-tudo” é preso. A classe média e a elite dormem em berço esplendido. Por quê?

Um avião com 500 quilos de cocaína decola da fazenda do ministro da agricultura de Temer. O silêncio é geral. Por quê?

Diante dos desastres causados ao país neste último ano e diante das atrocidades cometidas em pleno exercício na presidência da república,  Temer tem a pior taxa de aprovação desde o também desastroso governos Sarney – amigo de Temer. Mas barulho, gente na rua, nada. Por quê?

A poucos dias de vermos ser engavetada a acusação contra Temer, na câmara, a classe média pouco se importa com as articulações ardilosas do governo para se manter no poder. Por quê?

Estranho.

Onde estão todos? Onde estão os indignados que tanto pediram a cabeça de Dilma e a extinção do PT há pouco mais de um ano?

Estranho.

Por que os supostos crimes de Temer não incomodam a classe média enfurecida com o PT e com Lula?

Estranho.

Onde está o apoio da classe média e da elite – fascinada com Moro, o exterminador de petistas – ao procurador geral da república, Rodrigo Janot? Por que Janot não é tão aclamado publicamente quanto o é o midiático juiz de Curitiba?

Estranho.

Talvez o fato se dê porque a classe média e a elite veem em Temer um “igual”. Temer não representa a esquerda. Temer não é Lula. Não é petista. Então, tudo pode. Tudo está valendo. Os supostos crimes de Temer, por serem de Temer, agradam a classe média e seus pares. Estamos diante de um caso de espelhamento.

Trata-se, sim, de um caso de indignação seletiva.

Sim. A classe média e a elite tem, sim, seus “bandidos” de estimação – ao contrário do que insistem em dizer.

Conclusão?

Amparados no seio hipócrita de uma classe média realmente medíocre e sustentados por uma elite cada vez mais desejosa de poder e de status, Temer segue no poder. Segue satisfazendo seus pares, segue atendendo a anseios e pagando os favores daqueles que apoiaram o golpe e o colocaram no Planalto.

Como se diz aqui em Piracicaba, “aos amigos tudo, aos inimigos a lei”. Essa é máxima da elite deste país.

Triste. Triste ver o que a direita – liderada pelo PMDB e pelo PSDB – fez do Brasil em apenas um ano.

Agora, quem poderá algo contra eles?

 

 



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