Pela renúncia de Temer!

bandeira-preta

Inimaginável. Talvez esse seja o adjetivo que melhor possa qualificar o momento político atual de nosso país (afora outros, é claro, do mais baixo e inapropriado nível). Inimaginável – eis o nosso momento atual.

Após anos de avanço em tantas áreas sempre desprestigiadas e desprivilegiadas pelos sucessivos governos brasileiros, retrocedemos décadas em pouquíssimos meses. Afinal (e deixando de lado a tradição nacional do maniqueísmo que quer separar o joio do trigo no que tange ao partidarismo dos governos que – nas últimas décadas – intentaram reescrever um novo Brasil), é fato que – de FHC a Lula e a Dilma – o Brasil caminhou numa ascendente que parecia cada vez mais promissora. Nesse sentido, quem poderia afirmar com segurança, há meros dois ou três anos, que – sucumbida a trilha para os planos celestiais da nação – veríamos hoje a nossa pátria imersa no estrume que vaza de suas próprias instituições?

A guerra eleitoral pela disputa do poder está, a nosso ver, e como não poderia deixar de ser, no cerne dos fatores que – atrelados à corrupção que solapa o país, em todos os níveis – impulsionaram o Brasil para o cadafalso no qual ele se encontra. Lamentavelmente – e nos permitimos aqui uma digressão histórica livre -, a história de nosso país tem suas raízes no jogo pela disputa de poder e – obviamente – no sanha louca pelo lucro fácil, pelo enriquecimento rápido e à qualquer custo. Uma rápida olhadela em bons e confiáveis livros de História nos colocam diante de um povo que sucumbe ao desejo de ser mais do que é – e de ter mais do que se pode ou deve ter. Não somos apenas a nação do “jeitinho”. A nossa “lei de Gerson” institui no país a ilusão da obtenção de vantagens à revelia das leis, da moral e da ética. No Brasil, ao que parece – e nos perdoem o azedume – nunca tivemos planos de governo. Tivemos sim, sempre, projetos de poder.

Não fugindo a essa máxima, os partidos de oposição aos governos do PT resolveram atear fogo em uma palha seca e quase “autoincendiária.” Na gana por um terceiro turno das eleições de 2014, valeu tudo no projeto de derrubar Dilma e assumir o Planalto. Ante a crise que o próprio governo Dilma e o próprio PT se enfiara, a então oposição não poupou munições para criar junto à população um cenário no qual Dilma e o PT representavam o que de pior o Brasil já havia visto. E essa “tese” suicida foi amparada, corroborada e – mesmo – ampliada por diversos setores supostamente independentes do país. Estampando a bandeira de que era preciso se livrar de um câncer chamado PT, a grande mídia e os impérios da comunicação disseminaram o ódio que dividiu o país entre “coxinhas” e “mortadelas”.

Vencida a batalha, com vitória dos opositores, subiu ao trono da nação mais um vice-rei – um risível títere nas mãos de forças muito mais demoníacas do que poderíamos supor. Figurativo até os últimos fios de seus cabelos brancos, o vice-rei agora empossado não conseguiu conter o avanço da onda que seus próprios comensais e seu próprio séquito haviam elaborado para derrubar Dilma. A onda dos jatos de uma lava-jato manipulada saiu do controle de seus gerentes e afilhados. Juízes tendenciosos e promotores comprometidos perderam as rédias do que imaginavam conseguir controlar. E – bebendo do próprio veneno – promotores, juízes, presidente e todos os demais comensais de jantares luxuriosos em Brasília parecem  agora atolados na lama que ousaram agitar.

Traídos pelos seus colaboradores, traídos pelos delatores que – assumindo rotas fora do país – delataram o que os donos da Lava-jato JAMAIS imaginavam ouvir, a queda de Temer e seus comparsas parece cada vez mais fadada a acontecer. Um golpe dentro do golpe se avista no horizonte. Inimaginável. Eis, novamente, o adjetivo. Abalado pelas denúncias de corrupção, caixa-dois e outros atos ilícitos que explicitam os jogos pelo poder, o barco furado de Temer parece cada dia mais próximo do naufrágio. Marcado pela propositura de PECS insanas, pela ineficácia da administração dos negócios da nação, vilipendiado pelos líderes estrangeiros, explicitamente inábil na recuperação da economia e vaiado por onde passa, Temer parece se esconder de si mesmo. E o golpe de 2016 começa a fazer água.

No entanto, Temer não afunda sozinho. A chamada “delação do fim do mundo” – feita pelos Odebrechts – arrasta para a ressaca das águas da Lava-Jato um sem-fim de líderes do governo, de partidos da situação e de figuras políticas que até então eram santificadas – pela mídia chapa-branca  – aos olhos da nação. Sucumbe com Temer quase todo congresso – Câmara dos Deputados e Senado federal. Sucumbe com Temer até mesmo o próprio STF. Sucumbe com Temer e com o Golpe de 2016 o próprio Brasil. A nação afunda, naufraga, afoga-se em fezes verde-amarelas. Todo tipo de tramoia é agora mirabolada e legalizada à luz da lua, ao sabor das madrugadas. Congelamento de investimentos na saúde e na educação são aprovados, projetos contra corrupção são modificados, propostas para a manutenção do poder são urdidas e executadas nos três poderes tidos, até então, como intocáveis.

E enquanto tudo isso acontece a olhos vistos, ainda se justificam as atrocidades cometidas tendo em vista a deposição de Dilma e do PT. Lamentável. Inimaginável. E há ainda muitos que acreditam na legalidade de tudo isso e têm no ódio ao PT (aos “comunas-vagabundos”, à “esquerda caviar”) argumentos insólitos que apascentam suas consciências.

Dizem os mais poéticos que 2016 pode ser mais um daqueles anos que nunca acabaram. Talvez. Mas o Brasil, por outro lado, talvez não resista com vida até a entrada de 2017.

Por isso, a renúncia de Temer e novas eleições diretas parecem ser as únicas soluções possíveis e plausíveis para que não sucumbamos – de uma vez – aos caos absoluto.



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1 Comment on "Pela renúncia de Temer!"

  1. Erico Cesar Bisson | 18 de dezembro de 2016 at 1:07 | Responder

    Não obstante o desgaste do presidente,não temos nomes ou liderança politica.A meu ver,só seria válido com renúncia total e eleiçoes legislativas também .Mas é muito dificil,mais que tudo,precisamos urgente de lideranças politicas que chamem a si um grande pacto ,sem desconfianças insuperáveis.Porquê quem segura o nosso Legislativo?É absolutamente impossível governar com eles e ninguém fala em reforma política.Por isso pode colocar qualquer um lá que não conseguirá governar .

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