O Triste Fim de Aécio (Quaresma)

 

O fim de Aécio Neves é patético. Roteiro de filme B – desses que a gente vê de madrugada, em canal aberto, por pura falta de opção e sem nenhuma vontade. Quase pornográfica, a trama final da vida pública e política de Aécio – sempre profanada por suspeitas de envolvimento com ilícitos de diversas sortes e maculada pela amizade com envolvidos em situações criminosas (como aquele dono de um helicóptero apreendido cheio de cocaína) – tem cenas explícitas que nos levam ao nojo, ao abjeto: um Poderoso Chefão mal filmado e do qual já sabemos o final (lembra daquele spoiler: “O Aécio é o primeiro a ser comido”?).

Incomunicável até o momento (tarde de quinta, 18 de maio), nosso triste protagonista se esconde de tudo e todos – e talvez de si mesmo. Seu primo (personagem secundário dessa pornochanchada, mas braço direito e agente facilitador das ações suspeitas do protagonista) e sua irmã (elemento chave nas estratégias apontadas como criminosas nesse ) foram presos. O chefão, no entanto, permanece solto. Talvez aguardando sentando – em poltrona centenária, da família, de couro lustroso e segurando um charuto entre os dedos – o desfecho pastelão que o espera. Sem muita criatividade, a peripécia a qual sucumbe esse anti-herói nacional não guarda nada de novo. Aécio (Quaresma) caiu no mais singelo truque de seus antagonistas: o da mala chipada, cheia de dinheiro, levada por um entregador que é filmado e fotografado pela polícia. Crash! Não há mais anda a fazer, meu caro Quaresma, apenas tocar um tango argentino.

O bom moço que se indignava ao criticar os casos suspeitos de corrupção de seus adversários, o “Mineirinho” – como supostamente era chamado em planilhas igualmente suspeitas e em agendas de empreiteiras e operadores – mordeu e enrolou a língua, queimou o filme, enfiou o pé na lama em plena gravação. Presidente nacional do PSDB – sim, desse mesmo PSDB que protocolou pedidos e pedidos de impeachment para Dilma e o PT – nosso Quaresma às avessas quase chegou lá. Quase. Levantando a bandeira do anti-petismo, carregou no colo um sem-fim de eleitores que viam nele a plenitude da moral, dos bons costumes e da boa família. Gente de bem, diziam, gente de bem. Mas, não. O final do filme já estava escrito. Na janela, só Carolina – e Aécio – não viram (chamem o Chico para cantar um samba!).

Aécio, Temer, PSDB e PMDB morrem ao final, de braços dados. Um candidato derrotado e que nunca aceitou a derrota, um vice que se autorreconhece decorativo e que acaba na lona, dois partidos que acharam que chegaram lá – mesmo que por vias indiretas – e que se afogam na areia. Melhor cenário para  um take mórbido e cafona final não há. Joguem logo a pá de cal. Precisamos ver renascer as flores de outrora.

 

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Alê Bragion é editor do Diário do Engenho.

 



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