O Palacete Mágico

O Palacete Mágico

BOYES

De seu interior deslizava calma e serena uma cachoeira que riscava o
subsolo da Avenida Beira Rio e fundia-se ao Piracicaba. Era uma imagem
marcante e bonita de se ver.

Em um de seus muros existia um santuário onde as pessoas acendiam velas e deixavam pequenas relíquias, criando uma imagem pura de arrebatação, fé e religiosidade. Era um espaço que sempre causou em mim respeito e me
despertava para o mistério para a lembrança do sagrado do Sancta
Sanctorum.

Em noites de chuva havia um espetáculo merecedor de um filme inglês: as
árvores em sua volta eram iluminadas por relâmpagos e ali formavam imagens digna de um cartão postal.

O conhecíamos como Palacete Boyes, e pertenceu ao grande homem e
benemérito da nossa terra: Luiz de Queiroz. Foi também seu proprietário o
ex-ministro da Agricultura Rodolfo Miranda, depois a família Boyes e hoje
a família Fioravanti. Contam que em outros tempos estiveram ali hospedadas
personalidades da politica, da área empresarial, artística e de várias partes do mundo.

Na minha infância, os mais velhos e cultos da cidade falavam que por ali
havia passado um “tal” de Rudyard, e isso ficou marcado em minha mente.
Tempos depois, descobri tratar-se do escritor Rudyard Kipling (prêmio
Nobel de Literatura de 1907), sobre o qual dizem que era maçom e na época de sua visita ao palacete foi recepcionado fora também por maçons da cidade, lá pelos idos de 1922.

Há entre seus livros um com a temática maçônica que foi transformada em
filme de aventura, com Sean Connery e Michael Caine: “O Homem que Queria Ser Rei”. Kipling narra nessa obra à aventura de dois ex-soldados britânicos
(maçons) que queriam conquistar a todo custo a fama e viver como reis.

Kipling foi o criador de “Mogli”, personagem de outro livro seu de sucesso:
“O Livro Da Selva”, imortalizado em 1969, por Walt Disney em desenho
animado.

Esse é o palacete que encantou e assombrou os meus sonhos de infância e, que ainda, às vezes, em noites de sono agitado, me arrebata, mesmo que por
alguns segundos, para um mundo onírico no qual coisas místicas podem
acontecer.

====================

DSC03608AAA

 

 

 

 

 

João Carlos Teixeira Gonçalves á professor nos Curso de Comunicação da Universidade metodista de Piracicaba (UNIMEP) e Consultor em Comunicação & Marketing de Empresas. Os textos desta coluna também são publicados no jornal A Tribuna Piracicabana, às quintas.

(FOTO DO PALACETE: www.aprovincia.com,br)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *