O Olho que tudo vê.

OLHO QUE TUDO VÊ

Havia uma casa localizada na Rua Santo Antônio, entre as ruas Regente Feijó e Voluntários de Piracicaba: a “casa dos símbolos”. À noite, um grupo de crianças se reunia em frente à casa para brincar de pega-pega e balança caixão. O intuito era o de vigiar e tentar descobrir o segredo que existia naquele lugar estranho, que uma vez por semana era frequentado por gente vestida de terno preto, com pastas na mão.

Chegavam silenciosos e lá permaneciam por algumas horas e não permitiam de maneira nenhuma que nada chegasse aos nossos ouvidos de crianças curiosas e atentas – embora não ousávamos chegar perto do portão, que era alto e de ferro, salpicado de símbolos por toda parte. Na fachada do prédio havia lua, sol, malho, cinzel, colher de pedreiro e, dentro de um triangulo no alto da parede, um olho bem grande que parecia ver tudo o que se passava em frente ao prédio.

Antes de atingir a porta de entrada, havia o portão, um jardim com algumas árvores e principalmente um pé da milenar acácia, uma pequena passarela, três degraus e uma varanda. Depois dela, uma porta enorme de madeira que parecia intransponível para quem fosse desprovido de conhecimento. Nas noites em que não havia reunião, todos evitavam brincar na frente daquele lugar – principalmente passar por aquela calçada.

trinagukloA cidade era pequena e a rua, à noite, era pouca transitada por carros e por pessoas. Neste quarteirão, em particular, existiam algumas casas (havia uma igreja, uma loja de máquina de escritório e a famosa sede da Banda União Operária). Diziam alguns transeuntes que aquele olho piscava por três vezes quando se olhava fixo nele; outros falavam que ele acompanhava quem por lá passava. Esta era a “casa dos símbolos”, famosa pelo seu Olho Que Tudo Vê.

Pesquisando e estudando descubro que aquele símbolo representa o emblema da visão onipresente da consciência de Deus sobre o que existe: o divino conhecimento, o Grande Arquiteto do Universo. Talvez por isso fôssemos poupados do segredo. Quem sabe, de algum modo, previam que alguns de nós, no futuro, seríamos chamados a conhecer a “casa dos símbolos”. Quem sabe?

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João Carlos Teixeira Gonçalves é professor dos cursos de Comunicação da
UNIMEP, memorialista e consultor de Comunicação & Marketing em empresas.

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(texto publicado originalmente em A Tribuna Piracicabana, 27/11/020014, na coluna Café com Memória).



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1 Comment on "O Olho que tudo vê."

  1. Muito bacana seu texto, gosto muito de adquirir conhecimentos sobre coisas profundas, que vão além de nossa mera e passageira vida terrestre, parabéns!

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