A “Lei é Para Todos” os pobres, pretos e putas.

Esta era uma afirmação corrente nos idos dos anos setenta e oitenta do século passado, e feita não exatamente desta forma, mas parecida, por críticos sociais em geral.

Lembro-me de antigo promotor de justiça e professor de Direito Penal na UNIMEP – além de autor de nossas letras jurídicas – Dr. José Ribeiro Borges, hoje falecido (e à cuja memória rendo minhas homenagens), que em Semana Jurídica promovida pelo Curso de Direito nesse sentido se manifestava, causando grande surpresa ao dizer que no Brasil, infelizmente, a cadeia era ainda destinada e caracterizada pelos “três pês”. Ou seja: para os pobres, pretos e putas – em uma clara alusão à falta de políticas públicas democráticas de inclusão social no país (como sugestão, vale consultar no Google a expressão: cadeia é para pobres, pretos e putas, diversos autores – hoje com a inclusão de outros “ps”, como “petistas”. Acesso realizado por este autor em 13/04/2017).

Me veio à mente, assim, a referida menção, justamente quando ouvimos falar do filme intitulado “A Lei é para Todos”, concomitantemente à prisão do cidadão pobre, Luis Inácio Lula da Silva, que, no caso, também representará, e bem, os pretos do Brasil, e, provavelmente, e com toda dignidade, também as putas.

Mas, enfim, ocorre-me que nada mudou. E que a despeito do filme referido, ao que parece, apenas tergiversar sobre o tema, que na verdade testemunhamos a deterioração ainda maior de nossa “civilização brasileira”, à medida em que vemos não só mais um pobre e preto sendo mandado para a cadeia, mas porque assistimos ainda a ação vingativa, rancorosa e asquerosa dos ricos e “brancos” (“brancos” aqui não tem conotação étnica, naturalmente, mas ideológica -afinal,  incluiríamos aqui, por exemplo, o Joaquim Barbosa, não é mesmo?).

Mas, dizíamos, os ricos não se conformam com a ousadia do líder pobre em querer ser presidente do Brasil. E, pior do que isto, dele dar certo, contra todas as expectativas do “establishment”. É preciso, pois, puni-lo exemplarmente para que nenhum outro pobre ou preto ouse aspirar sair da senzala (ou da favela, ou de Garanhuns) para fazer política em prol dos demais pobres, pretos ou putas do Brasil.

O capitão do mato estará a postos com seu azorrague, para caçar e castigar o fugido que aspira o redentor quilombo (quilombo que um dia ainda haverá de se realizar, a bem de todos).

 


 

 

 

 

 

Alexandre A. Gualazzi é advogado e professor do curso de direito da UNIMEP

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