“Fios e Tramas” – crônica de Suzane Lindoso

Que ideia poderia ser mais relaxante que a de uma rede embaixo de uma frondosa árvore, embalada pela brisa leve e fresca? Na correria que marca nosso cotidiano, sua lembrança é um oásis.

Quem não dispõe dessas árvores a colocam em sua varanda e, ainda, quem nem possui varanda, aproveita a de alguns restaurantes, que a disponibilizam para seus clientes se recuperarem de qualquer possível exagero.

Ou que tranquilidade caminhar por lugares naturalmente perigosos, mas devidamente protegidos por redes de segurança! Mas também ela nos remete ao trabalho. O que dizer das redes pesadas e cheias dos pescadores?

Ou até mesmo das tão famosas redes de computadores? Modernamente, a moda são as redes sociais – que nos permitem o relacionamento virtual. Para quem mora longe de parentes ou de amigos, que maravilha poder contar com este fruto da tecnologia!

E o que dizer dos esportes? Que bom brasileiro nunca vibrou com a rede balançando graças a um belo ou a um tão esperado gol! Ou se entristeceu com o ponto perdido pelo adversário ao esbarrar nela a bola, no vôlei? Contudo, como nem tudo são flores, há como se ver laçado por fios invisíveis e perigosos, tramados por pessoas virtuais cheias de maldades reais.

Pois é! A rede nos enlaça, nos envolve, faz parte do nosso dia a dia, quer de um jeito ou de outro. Rede é trama, entrelaçamento, harmonia. Fios que se perdem na construção do tecido, ou do corpo, ou do grupo.

A economia globalizada favoreceu o surgimento de grandes redes empresariais. A rede, composta por fios, é mais poderosa, mais forte. Para onde nos viramos nos deparamos com rede de lojas, de farmácias, de escolas, de restaurantes. A lista é quase infinita. Se isto por um lado é bom, pois nos permite uma estada mais confortável em um lugar pela primeira vez, por outro nos conduz à mesmice. Onde estivermos, veremos praticamente tudo igual. Que cuidem bem dos monumentos, pelo menos eles garantirão a individualidade dos lugares.

É um difícil esforço conceber que a rede – aquela que interliga, diverte, emociona, sustenta – pode enredar-se a ponto de ser exatamente ela o motivo do desenredo.

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A autora:

Suzane Alaíde Lindoso da Silva

Nasceu no Recife (PE),  na década de 60, e reside em Piracicaba desde 1992. Estudou na Universidade Estadual do Ceará, onde cursou Letras. Desde que aportou por aqui, é professora de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental e Médio. Professora do Colégio Piracicabano, é apaixonada por textos, livros, palavras! 



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22 Comments on "“Fios e Tramas” – crônica de Suzane Lindoso"

  1. Enrolada, enroscada, revirada, aprisionada, envolvida em tudo quanto é rede possível!!! 🙂
    Beijos da mana Ester

  2. Belas palavras. Adorei. Beijos.
    Au revoir.

  3. Que maravilha de texto! Quanta percepção nas palavras!
    Adorei!
    Beijos
    Sandra/Tuca

  4. Susane querida:
    O grande sabor de uma boa leitura é quando ela nos dá a licença de adentrarmos e mergulharmos nas linhas de seu texto e contexto, impulsionando-nos a conhecer e a nos encantar com as profundezas e riquezas das suas entrelinhas…
    Obrigada, amiga, por compartilhar e provocar em nós o desejo de nos encharcarmos de suas águas. Por vezes, límpidas e tranquilas… Por vezes, turbulentas e ensurdecedoras, porém, vitais e necessárias.
    Um grande beijo e fica com Deus,
    Sid.

  5. SUSSU, AMEI E VOU COMPARTILHAR…
    BELA PRODUÇÃO… VC FEZ DE UMA MARAVILHOSA REDE… UM REDEMOINHO DE CRIATIVIDADE!!!PARABÉNS, AMIGA!
    QUE POSSAMOS COM AS “REDES”… “PESCAR” NA VIDA O Q HÁ DE MELHOR, “TECER” BOAS AMIZADES, “TRANÇAR” AMORES, UM RELAXANTE “LEITO” PARA NOS EMBALAR FELIZES, “VIAS DE COMUNICAÇÕES” SAUDÁVEIS, “FIOS” CONDUTORES E SOLIDÁRIOS, “CANALIZAÇÕES” ALEGRES, “CILADAS” DE LINDOS ENCONTROS E “ARMADILHAS” DE SURPRESAS AGRADÁVEIS!!!
    GRANDE BJO MEU.

    • Como você escreve bem. Fico feliz por ver meus texto explorando o que há de melhor de cada um. Que nossas redes se encham do lado bom e dadivoso da vida. Um grande beijo.

  6. Só poderia ser da minha tia Suzi…
    Gostei muito.
    Bjao

  7. Você foi fundo em todas as possibilidades de redes terminando com um temido desenredo. Que Deus nos guarde. Prefiro ficar com as tramas de solidariedade e carinho e com a velha e tradicional redinha do Ceará e dos nossos interiores, em geral, de preferência sob uma árvore no quintal lá no Rio da Conceição. Topas?

  8. Suzane tirou MB (muito bom) rsrsrs, me orgulho muito ter sido seu aluno fique com Deus e continue escrevendo para que eu possa me orgulhar ainda mais.

    • Obrigada pelo MB. Quanta deferência! Gostoso nos dar conta do que passamos a representar para os outros. Obrigada pelas palavras encorajadoras.

  9. Adelino F. Oliveira | 3 de julho de 2011 at 2:27 | Responder

    Professora Suzane,

    Que texto agradável, interessante e sugestivo… aborda a complexidade da própria existência, onde tudo é entrelaçamento…

    • Senti-me lisonjeada com suas palavras.Tenho acompanhado seus textos (escritos ou falados)por aqui, pela FM Educativa e tenho nutrido uma profunda admiração pelo seu trabalho.
      Um grande abraço.

  10. Suzane,
    Fiquei curiosa quando você me disse que o seu texto era sobre “redes”. Agora que o li percebo que “qualquer semelhança não é mera coincidência” rsrsrsrsrs. Você abordou bem, o lado humanizador das redes e, por outro lado, a complexidade e a possível crueldade delas. Que Deus nos acuda!
    Parabéns pelo texto. Beijos,
    Sua amiga Ana Gloria.

    • Sabia que reconheceria as circunstâncias que me levaram a pensar em redes. Obrigada por sua palavras sempre de incentivo. Um forte abraço.

  11. Olá Suzane!!! Parabéns por mais um lindo texto… Que possamos ser enredados pela gostosa amizade da convivência diária. Um grande beij e continue nos encantando e com seus textos… Boas férias… Bjos…Adê

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