Domingueiras e Gurus

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Era época das brincadeiras dançantes e das domingueiras e a juventude
fervilhava na cidade. No clube de Campo de Piracicaba, havia um bar
comandado pelo Penha – que tempos depois foi proprietário do famoso e
restaurante Flamboyant.

Aos domingos, no período da tarde, havia as domingueiras e a juventude da
época se reunia para paquerar e curtir ao som de um dos mais badalados
conjunto musical da época: “Os Cambitos” – de Mané, Artur, Abdo e Zé Roberto (interpretes das musicas dos geniais jovens Beatles, de Liverpool.

Era um tempo de muita paz e amor e pouca violência onde os carros
Dholfines, Gordines, Sincas, músicas e roupas coloridas davam o tom da
época e embaladas logicamente pelos gurus que despontavam para o ocidente
aos borbotões.

Foi nesse momento de minha vida que mantive contato com o mundo mágico da
literatura e com um dos grandes gurus e escritores da época: Herrmann Hesse.
Ainda nos dias de hoje, esse mestre e suas mensagens podem ser
entendidas e estudadas para uma profunda reflexão filosófica.

O livro é o alimento que nossa alma necessita – e quando eu descubro um, faço
o possível e o impossível para adquiri-lo, pois acredito que ele tem
destinos próprios e são feitos a pessoas que o esperam e os encontram no
momento exato que necessitam.

Foi assim que aconteceu com o livro Sidarta.  Sua leitura, na minha maneira de pensar, foi para mim uma iniciação, um momento de transformação na leitura da obra daquele que foi um dos maiores
escritores do ocidente a interpretar filosoficamente o pensamento do
oriente.

Sidarta era muitas vidas retratadas em uma: o homem do mundo, o
sábio, ou seja, toda evolução do ser humano vivida em uma única vida.
Sempre haverá alguém por perto para dar o empurrão necessário naquilo que
poderá mexer com seu interior – e foi involuntariamente pelas mãos do
“Pingo”, filho do Senhor Penha (proprietário do bar do clube), que fui
levado a essa iniciação no grau inefável do conhecimento filosófico.

Foi um tempo de música, dança, paz, amor, literatura e muita filosofia e
para quem estava esperando a chegada do mestre – que, com certeza, apareceu,
pois não é sempre dito que quando o discípulo está pronto o mestre
aparece?

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João Carlos Teixeira Gonçalves é professor da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) e consultor de Marketing e Comunicação.



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