Brasil à beira do abismo -o golpe da direita continua

Temer e seus paladinos enfrentam inesperadamente a maior crise nacional desde o golpe jurídico-parlamentar que os alçou ao Palácio do Planalto. Enfraquecido, como se sabe, desde que assumiu a presidência e teve de negociar com congresso e senado para livrar-se das provas de corrupção que o derrubariam do poder tão logo o tinha assumido, Temer e o Planalto encontram-se agora encurralados no canto direito do ringue chamado Brasil.

E não se enganem os simpatizantes da centro-esquerda, quem põe a faca no pescoço do governo não são os movimentos, partidos ou militantes da dita esquerda. A força motriz que para os caminhões nas estradas e impõe à nação o caos vem – em sua maioria – dos empresários do meio dos transportes e de outros diversos setores. E isso vem ficando mais claro a cada hora que passa.

Prova disso é que as medidas apresentadas e tomadas por Temer na noite de ontem – domingo (27/05) – pouco ou nenhum efeito produziu dentro do movimento grevista. Mais do que isso, ao que parece, não há ainda por parte desse movimento um pauta clara e definida sobre quais seriam suas exigências e bandeiras.

Ao que parece, o movimento veio para ficar – e o caos estabelecido no país não deve ter fim apenas a partir da assinatura das medidas provisórias de Temer. Pelo contrário, no dia de hoje, e para além da paralisação, movimentos mais hostis foram presenciados em estradas como Régis Bittencourt e Anhanguera – quando barricadas e incêndios foram provocados pelos manifestantes.

Aqui e ali, ouvindo uma ou outra fonte, este Diário percebe muito sutilmente um movimento maior embasando a linha de frente dos caminhoneiros. Pelo que pudemos apurar até aqui, há um real interesse que as coisas continuem caminhando para o caos total – e que outras instituições comecem a aderir ao movimento, aquecendo o caldeirão da política nacional ao extremo.

Talvez a direita já tenha percebido que Temer cumpriu o papel que lhe cabia no golpe de 2016. E, como todo traidor, agora deve também ser traído pelos mesmos atores que o colocaram no poder. Na beira do cadafalso, Temer e seus adoradores não conseguem mais pactuar com o diabo – que também agora os rejeita.

Por sua vez, a esquerda assiste passivelmente a ascensão de um inovador movimento grevista de direita – dentro do qual se pedem atrocidades como a volta das forças armadas, a eleição de Bolsonaro e outros. De certa forma, a esquerda pasmada não demonstra  – até aqui – saber o que fazer diante do quadro presente.

Em meio a tudo isso, a população – ao menos nas redes sociais – parece apoiar aos grevistas e deliciar-se com os ataques ao governo. Esquerda e direita, nesse caso, unem-se pela primeira vez pós Dilma em torno de uma mesma pauta: a falência do governo Temer. No entanto, o que a esquerda talvez não tenha percebido é que a direita segue dando continuidade ao golpe de 2016, instaurando agora um caos capaz de derrubar o governo. E para quê?

Ruim com Temer, pior sem ele neste momento.  A continuidade do presidente golpista no poder, ao menos até as eleições, assegura a possibilidade de que as eleições aconteçam. Em total caos, com o qual namoram os brasileiros, a ausência de Temer no poder coloca as eleições indiretas na reta.

Estamos, de fato, entre a cruz e a caldeirinha.

 

 

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