A bandeira da Educação

Uma das questões que os jornalistas mais têm perguntando aos candidatos à presidência da república, este ano, diz respeito à segurança pública. O que os candidatos propõem para resolver o problema da falta de segurança? Alguns falam sobre a importância de equipar e treinar os policiais, outros defendem resolver o problema com inteligência. E há aquele que quer transferir esta responsabilidade para todos os cidadãos brasileiros, permitindo o porte legal de armas (cada um que se defenda sozinho!).

O fato é que, por trás disso tudo, existe algo fundamental. Não adianta apenas remediar. É preciso prevenir! Fala-se muito em prevenir as cáries, prevenir o câncer de mama, prevenir acidentes de trânsito, prevenir o mosquito da dengue, prevenir o sarampo e a poliomielite… Enfim. Poderíamos ficar aqui por horas pensando em vários exemplos de como tentamos resolver problemas da vida diária, focando, de fato, nas causas, e não remediando – pois como já diz o sábio ditado “não adianta tapar o sol com a peneira”!

O problema da segurança é muito mais complexo do que parece ser. Não basta construirmos leis mais rígidas e nos restringirmos ao empoderamento das polícias. É preciso prevenir, antecipar, impedir e cuidar para que as pessoas não caiam em uma situação de roubo, assassinato, tráfico de drogas, estupro e/ou todo e qualquer tipo de violência. E isso se faz com a força da Educação! Não se trata aqui de defender um ponto de vista romântico, mas sim realista! É somente oferecendo uma educação de qualidade (de verdade) a todos os brasileiros é que vamos diminuir as desigualdades sociais, possibilitando, assim, que as pessoas possam viver com dignidade.

Esta deve (ou deveria) ser a principal proposta, não de um candidato à presidência, mas do país. Um projeto, em longo prazo, mas pensado, discutido e implantado urgentemente! Sei que esta não é uma tarefa fácil, visto que a rede pública de ensino brasileira é gigantesca. Mas podemos começar por partes. Primeiramente, com a Educação Infantil e, gradativamente, seguimos ampliando estes horizontes para os próximos níveis de ensino, passando pelo Fundamental, Médio e até o Superior. Mas para que isso ocorra, é fundamental que possamos fazer uma revolução na carreira docente. Atualmente, fala-se muito da educação na Finlândia. Nesse país, o professor é muito respeitado e, por conseguinte, muita gente quer ser professor! E aqui, no Brasil? Infelizmente, podemos observar que, hoje em dia, pouquíssimos são os jovens que desejam lecionar. Por quê? Pois o salário desta categoria de trabalhadores é, geralmente, muito baixo e as condições de trabalho são terríveis. Nem é preciso explicar que condições precárias são estas do trabalho docente, pois todo mundo sabe disso!

Escuto, com certa frequência, economistas afirmando, com veemência, que o salário não é uma questão assim tão fundamental. Argumento este, que discordo totalmente, pois as profissões mais cobiçadas, os cursos mais concorridos nas faculdades e universidades do país são os da área de Medicina, Direito e Engenharia. E sabe por quê? Pois juízes, médicos e engenheiros são muito bem remunerados! São pessoas que, em geral, têm uma boa qualidade de vida! Fato bem diferente do que ocorre com o professorado, que, muitas vezes, necessita trabalhar três períodos diários para sobreviver. Remunerar razoavelmente os professores é o primeiro passo para reverter esta situação e atrair bons profissionais!

De fato, outras linhas se misturam as anteriores. Outra questão de extrema importância, ainda relacionada aos professores, diz respeito à sua formação. É preciso fazer um pacto nacional para alavancar a formação docente: garantir que todos os que lecionam tenham, ao menos, uma licenciatura e, progressivamente, ampliar a oportunidade para que possam prosseguir seus estudos, cursando, por exemplo, um mestrado acadêmico ou profissional. E, é claro, atrelado a isso tudo, um plano de carreira decente que incentive esta formação continuada, assim como é feito na Rede Federal. Os céticos dirão: isto seria impossível, pois o Brasil não tem recursos financeiros, além de haver um número gigantesco de professores.

De fato, mas como já disse anteriormente, podemos fazer isto em um projeto, em longo prazo, começando pela Educação Infantil e cumprindo uma das metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Educação, aprovado em 2014, que é a de destinar 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação. Além disso, existe a possibilidade de adquirir novos recursos a partir da taxação de grandes fortunas, assim como propõem alguns candidatos ao governo da União e como já é feito em vários países do mundo.

Ah, o leitor pode ficar tranquilo, que não se trata de cobrar impostos da sua fortuna. A ideia é taxar os “ricos de verdade”, os super ricos, os bilionários…

Esta é a bandeira que todos nós devemos erguer e lutar! A bandeira da Educação, pois como já dizia o célebre educador brasileiro Paulo Freire, “se a educação sozinha, não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”.

 


 

 

 

 

Audria Alessandra Bovo é doutora e professora no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – campus Piracicaba.

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