Apologia ao crime e eleições presidenciais no Brasil.

 

É crime incentivar as pessoas a práticas criminosas, ou ainda elogiar a ideia do crime. O que me deixa curioso é como um candidato à presidência do Brasil pode aparecer em público fazendo sinais manuais sugerindo que empunha uma arma de fogo, e que está atirando, inclusive contra seus adversários políticos? Né mesmo?

Vou eu fazer um negócio desses (ou você) e seremos enquadrados no Código Penal Brasileiro, inclusive por praticarmos tais atos perante um público indeterminado, que abarca crianças e adolescentes, que, até onde me lembre, são protegidos por estatuto próprio, que diz não poderem ser expostos a atos “obscenos” (como os “dele”), devendo os responsáveis (ou melhor, os irresponsáveis) por tais atos responder na forma da Lei.

Quer dizer, o “cara” nem foi eleito e já é marcado pela mácula da corrupção. Corrupção, sim,! Eis que, corromper, genericamente falando, é praticar qualquer ato que contrarie a ordem pública, a moral e aos bons costumes. Assim sendo, torturar, matar, fraudar, praticar o descaminho, fazer apologia do crime, quer dizer, elogiar o crime, incitar ou animar as pessoas a práticas violentas, delituosas etc., são todas atividades que, por imorais, podem ser ditas corruptas.

Nem os generais ditadores posavam de caudilhos do velho oeste a ameaçadoramente brandirem armas ou sugerirem portar armas de fogo a amedrontar oponentes ou para causar “frisson” na incauta e ignara plateia que, (ai de nós), hoje, nem sequer faz ideia do que está presenciando e, se nele votarem, reservando para o futuro de suas famílias.

Quantos, temendo pela segurança pública, tendo filhos pequenos, em idade escolar, estão sendo ludibriados por aquele que justamente irá aumentar o terror no Brasil?

Sou professor. Acho que ele, a exemplo de Donald Trump, vai sugerir (ou fazer uma Lei) para que eu vá à aula armado, para atirar naquele aluno(a) de comportamento soturno ou esquivo, (são tantos. Devo matar alguns por semana?) e que vivem meditabundos ou cabisbaixos apenas por uma característica de alguns adolescentes nesta idade. Não são facínoras ou terroristas.

Pior que eu votei pelo desarmamento (pacifistas têm de ser radicais, diria João Paulo II), e imaginem agora ser constrangido a andar armado. Não! Peço demissão antes!

Mesmo que não seja isto, terei que aturar um presidente truculento, incentivador da violência e do crime, e que parece, depois de tanto tempo de vida, e de vida pública, não entender que a Paz se faz com Justiça Social. Com distribuição de renda. Com acesso à educação para todos. Com inclusão social.

E as pessoas que vão votar nele não percebem isso. Que estarão contribuindo para o aumento e manutenção da exclusão social e aumento da escalada da violência e do crime.

Ai de nós! Ai de nossos filhos!


 

 

Dr. Alexandre A. Gualazzi é professor no Curso de Direito da UNIMEP

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