“Seo Vigário”

gordo padre

 

Estava envolvido em tudo que pudesse arrecadar dinheiro fácil e, vamos ser sincero, não era chegado ao trabalho difícil e rotineiro, mas sim as facilidades que sua mente concebia. Nas épocas de eleições, preparava seu caminhãozinho e saía trabalhando para os candidatos que mais ofereciam dinheiro. Assim, durante esse período,  faturava uma “bufunfa”.

Era alegre, cativante e até um pouco folclórico no seu modos operandi. No bairro onde morava, foi presidente de time de futebol. Além ser o melhor presidente que o time teve, marcou sua imagem pelo jeito de se vestir como um folclórico presidente do XV. Não sei se algumas das histórias que dele se contava eram verdadeiras ou folclore, pois só sei que ele não as desmentia. Quando questionado, dava um sorriso e deixava a resposta no ar.

Dizem que aos domingos (nessa época não existia internet e a facilidade das mídias) deixava o caminhãozinho em ordem (era um Ford antigo), e saía para visitar os sítios da região de Piracicaba. Colocava uma batina surrada, um terço bastante usado e um pacote de santinhos comprados na livraria católica; reservado para os filhos dos sitiantes.

Chegava de mansinho nos sítios, onde era recepcionado com festas, e aproveitava para abençoar as galinhas, os porcos, os patos, a casa, a família e quem estivesse presente. Às vezes, diziam que recebia algumas “penosas” (galinhas) de presente. Quando era perto do Natal, até ganhava leitoas. Porém, leite,  queijo e frutas nunca faltavam junto do agradecimento dos abençoados e visitados.

Cheio de boas intenções, ele se despedia abençoando os bichos, a terra, a
família, prometendo retornar em breve. Quando resolveu ser mais sério, foi ser presidente de uma entidade distante de Piracicaba. Segundo quem o visitou na cidade onde estava residindo,
havia na parede de seu escritório muitas frases de efeito, como: “Nunca engane os outros”, “A honestidade é o melhor caminho”, “O trabalho enobrece o homem” etc.

Foi uma pessoa simpática, alegre e acima de tudo folclórica, divertida e
amada por aqueles que o conheciam. Seu apelido definia sua personalidade e ele
atendia numa boa quando era chamado por esse apelido. Foi um personagem que viveu em nossa cidade e que deixou recordações entre aqueles que o conheceram.  Como dizia um falecido locutor de rádio: essa é a minha Piracicaba! Eu digo: a nossa Piracicaba! Com seus personagens e suas histórias.

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João Carlos Teixeira Gonçalves é professor dos cursos de Comunicação da Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP).



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